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Economia brasileira perde fôlego no 2º trimestre, mas segue crescendo
A economia brasileira perdeu fôlego no segundo trimestre, com um crescimento de 0,9% em relação ao primeiro, mas surpreendeu o mercado, que esperava uma expansão menor, de 0,3%.
O Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 3,4% comparado ao mesmo período de 2022, informou nesta sexta-feira (1º) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No segundo trimestre e na comparação ao primeiro trimestre do ano, o crescimento foi liderado pela Indústria (0,9%), seguida de Serviços (0,6%), setor que representa quase 70% do PIB nacional. A atividade agropecuária contraiu 0,9%, destacou o IBGE.
No primeiro semestre do ano, cresceu 3,7%, coincidindo com o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em comparação à primeira metade de 2022.
Trata-se do oitavo trimestre consecutivo em que a economia brasileira cresce, segundo os dados do IBGE.
Nos primeiros seis meses do anos, coincidentes com o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, a economia brasileira cresceu 3,7% em comparação à primeira metade de 2022.
- Resiliência apesar dos juros altos -
Nesta sexta-feira (1º), Lula voltou a criticar o alto nível das taxas de juros fixadas pelo Banco Central (BCB), que esfriam o crescimento econômico ao encarecer o crédito e o consumo com o objetivo de baixar a pressão sobre os preços e, desta forma, conter a inflação.
"Eles precisam compreender que o dinheiro que existe neste país, precisa circular na mão de muita gente. (...) Queremos que mais pessoas tenham acesso ao crédito", disse Lula em um ato em Fortaleza.
O BCB manteve a taxa Selic em 13,75% por um ano até o início de agosto, quando começou um ciclo de "flexibilização" com uma queda para 13,25%.
O mercado projeta a Selic em 11,75% no final do ano, segundo pesquisa Focus do BCB.
"Os dados mostraram uma economia brasileira muito mais resiliente do que se esperava" frente às altas taxas de juros e uma queda anual nos investimentos, indicou Rafael Perez, economista da Suno Research.
O aumento de 0,9% do consumo das famílias no trimestre, acima dos 0,6% esperados pelo mercado, segundo uma pesquisa do jornal Valor, foi um dos pilares do crescimento do trimestre.
A expansão também se baseia em fatores como a queda da inflação e a melhora no mercado de trabalho, segundo Perez.
- Inflação desacelera -
A inflação moderou-se após atingir dois dígitos em 2022: a taxa acumulada nos 12 meses até julho ficou em 3,99%. E as estimativas colocam-na em 4,9% até o final do ano, um pouco acima da meta da autoridade monetária (4,75%).
O desemprego caiu para 7,9% entre maio e julho, e o nível do salário médio, em R$ 2935,00, subiu em temos interanuais.
- Mais fraco no futuro -
Para a segunda metade do ano, os especialistas concordam com um crescimento mais fraco, em boa medida pelos efeitos restritivos do ajuste monetário.
Na direção oposta, haverá um aumento do setor agrícola, que espera uma safra histórica, aponta em um relatório Gabriel Couto, economista do banco Santander Brasil.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) confia que a reforma tributária que o Congresso deve debater no segundo semestre, "terá um impacto significativo sobre a competitividade industrial e sobre o crescimento econômico" do país.
O mercado prevê alta de 2,31% do PIB até o final do ano, segundo estimativas da pesquisa Focus do BCB.
G.Schulte--BTB