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Cineastas classificam como 'fracasso intelectual' boicote ao diretor israelense Nadav Lapid na França
Um grupo de artistas, entre eles o cineasta francês Michel Hazanavicius, vencedor do Oscar, e a atriz americana Natalie Portman, classificou nesta terça-feira (9) como um "fracasso intelectual" o boicote que levou o diretor israelense Nadav Lapid, radicado na França, a cancelar sua participação em um festival em Marselha.
Em artigo publicado no jornal Le Monde, o grupo afirma que "o maior artista dissidente israelense", que denuncia em seus filmes os "desvios fascistas e colonialistas" de seu governo, foi obrigado a abandonar um festival francês, algo que, segundo os signatários, deveria "nos alertar e mobilizar".
O texto, assinado também pelos cineastas franceses Justine Triet e Jacques Audiard, vencedores da Palma de Ouro em Cannes, sustenta que "o boicote cultural contra Nadav Lapid é um fracasso intelectual".
"Os cineastas russos, israelenses e iranianos não podem ser ameaçados de desaparecimento para expiar crimes cometidos por governos dos quais frequentemente são os mais fervorosos críticos", acrescenta.
Na segunda-feira, outro manifesto assinado por 350 profissionais da cultura, entre eles o cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul e o escritor palestino Elias Sanbar, também criticou o boicote ao diretor de "Yes", filme contundente sobre a sociedade israelense após os ataques de 7 de outubro.
Lapid desistiu de participar do Festival Internacional de Cinema de Marselha (FID), alegando as "pressões" recebidas após protestos de cineastas que contestavam o fato de ele ter recebido financiamento público israelense.
O diretor, que vive na França há cinco anos, denunciou à AFP um boicote "cruel e violento".
"Quaisquer que sejam os crimes cometidos por seu Estado, ninguém pode ser reduzido a um passaporte", afirma o coletivo em seu texto.
Em mensagem divulgada no Instagram, 12 cineastas que defenderam o boicote justificaram a iniciativa pela vontade de "agir contra uma realidade colonial e genocida aprovada" e denunciaram a insistência dos festivais em "produzir uma simetria" entre produções palestinas e israelenses.
J.Marty--VB