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Uma noite brasileira em Hollywood: Wagner Moura e 'O Agente Secreto' brilham no Globo de Ouro
O cinema brasileiro viveu uma de suas noites mais marcantes no Globo de Ouro neste domingo (11), em Los Angeles, com "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, conquistando o prêmio de melhor filme em língua não inglesa e Wagner Moura sendo consagrado melhor ator em filme de drama, dobradinha que colocou o Brasil no centro da principal premiação pré-Oscar.
O reconhecimento veio por um mesmo trabalho: em "O Agente Secreto", Moura interpreta um personagem imerso em uma trama ambientada durante a ditadura militar, marcada por tensão psicológica, ambiguidade moral e crítica às estruturas de poder, elementos que dialogam com a tradição autoral do diretor e ajudaram a projetar o filme como um dos títulos mais celebrados da temporada internacional de prêmios.
"É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Eu acho que se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem. Esse prêmio vai para quem está seguindo seus valores em momentos difíceis", disse o ator baiano em seu discurso ao receber o prêmio.
Apesar do reconhecimento individual e do prêmio internacional, "O Agente Secreto" acabou derrotado na categoria principal de melhor filme de drama, que ficou com "Hamnet", da diretora chinesa Chloé Zhao. Ainda assim, o longa brasileiro consolidou-se como um dos títulos mais comentados da temporada, ampliando sua projeção internacional e reforçando a presença do Brasil na corrida pelos grandes prêmios do cinema.
A vitória de Moura dá continuidade a um momento excepcional para artistas brasileiros em Hollywood. No ano passado, o país já havia deixado sua marca no Globo de Ouro com Fernanda Torres, vencedora do prêmio de melhor atriz em filme de drama por "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, produção que meses depois conquistaria o Oscar de melhor filme internacional.
- "Uma Batalha Após a Outra" leva quatro prêmios -
Entre os demais destaques da noite, "Uma Batalha Após a Outra" figurou entre os grandes vencedores, embora seu protagonista, Leonardo DiCaprio, não tenha conseguido superar Timothée Chalamet em um dos duelos mais aguardados da cerimônia.
O filme de Paul Thomas Anderson, que narra a história de um revolucionário envelhecido (DiCaprio) e de sua filha adolescente (Chase Infiniti), chegou à premiação com nove indicações e, até a metade da cerimônia, já havia conquistado os prêmios de melhor direção, melhor roteiro e melhor atriz coadjuvante, para Teyana Taylor, antes de também somar um Globo de Ouro de melhor filme de comédia ou musical.
DiCaprio, porém, foi derrotado por Chalamet, premiado por sua interpretação de um ambicioso jogador de pingue-pongue da década de 1950 em Marty Supreme.
"Muito obrigado do fundo do meu coração. Estou em uma categoria com muitos grandes; esta categoria está repleta de talento. Eu admiro todos vocês", afirmou Chalamet, que também superou nomes como George Clooney ("Jay Kelly") e Ethan Hawke ("Blue Moon").
O ator lembrou que suas quatro derrotas anteriores no Globo de Ouro "tornam este momento ainda mais doce", antes de agradecer à namorada, Kylie Jenner.
O Globo de Ouro é um marco importante da temporada de prêmios de Hollywood, que se encerra em março com a cerimônia do Oscar.
- "Pecadores" contra "Hamnet" -
A divisão do Globo de Ouro entre comédias e dramas impediu que "Uma Batalha Após a Outra" enfrentasse Pecadores, considerada sua principal rival na corrida pelo Oscar de melhor filme.
A obra, que retrata a ferida profunda da população afro-americana no sul segregacionista dos anos 1930, mesclando horror de inspiração vampírica com ritmos de blues, venceu os prêmios de melhor trilha sonora e de melhor realização cinematográfica e de bilheteria.
"Pecadores" disputava o prêmio de melhor filme de drama com "Hamnet", que acabou levando a estatueta. O longa é estrelado por Paul Mescal no papel de William Shakespeare.
A tragédia, baseada no romance da escritora irlandesa Maggie O'Farrell, aborda de forma ficcional o luto de Agnes e William Shakespeare após a morte do filho.
Jessie Buckley, que interpreta a esposa do dramaturgo inglês, era apontada como favorita ao prêmio de melhor atriz, o que acabou se confirmando.
Com oito indicações, o filme norueguês Valor Sentimental, no qual Joachim Trier retrata a relação dolorosa de um pai cineasta com suas duas filhas, também aparecia como possível surpresa na categoria. Por esse trabalho, o sueco Stellan Skarsgård venceu o prêmio de melhor ator coadjuvante.
- "Be good" -
Rose Byrne levou o prêmio de melhor atriz de comédia por If I Had Legs I’d Kick You. Já a animação de sucesso da Netflix, As Guerreiras do K-pop, venceu na categoria de melhor canção.
A apresentadora Nikki Glaser abriu a cerimônia com piadas sobre diversos temas, incluindo a divulgação de arquivos do governo dos Estados Unidos com trechos censurados sobre o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
"O Globo de Ouro de melhor montagem vai para o Departamento de Justiça", ironizou.
Diversas celebridades, entre elas Mark Ruffalo, Natasha Lyonne e Wanda Sykes, desfilaram pelo tapete vermelho usando broches com a mensagem "Be good" ("Seja bom").
O acessório integra uma homenagem a Renee Good, americana morta a tiros por um agente da polícia migratória, episódio que reacendeu protestos contra a ofensiva do presidente Donald Trump contra os migrantes.
"Vamos fazer a coisa certa", declarou Jean Smart ao receber o prêmio de melhor atriz de série de comédia por Hacks. Ela também usava o broche.
H.Weber--VB