Volkswacht Bodensee - Doença de Leão XIV levanta questões sobre os rumos de seu papado

Doença de Leão XIV levanta questões sobre os rumos de seu papado

Doença de Leão XIV levanta questões sobre os rumos de seu papado

O papa Leão XIV continua hospitalizado nesta quinta-feira (15) após ser submetido a uma cirurgia para a retirada de um nódulo cancerígeno no pulmão, enquanto aumentam as dúvidas sobre o impacto que a doença poderá ter em seu pontificado, iniciado há menos de dois anos.

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O líder dos 1,4 bilhão de católicos no mundo passou por uma operação na terça-feira, durante a qual os médicos removeram o lobo inferior de seu pulmão direito.

De acordo com o Vaticano, a equipe médica realiza exames adicionais para determinar se o câncer se espalhou e se será necessário um tratamento complementar.

Por enquanto, o pontífice, de 71 anos e nascido em Chicago, deverá permanecer por pelo menos mais alguns dias no Hospital Gemelli, em Roma.

Segundo seus médicos, Luigi Carbone e Stefano Margaritora, a radiografia do tórax mostra "uma boa recuperação do pulmão operado" e a convalescença "avança segundo o previsto".

Uma fonte do serviço de imprensa da Santa Sé informou que o papa trabalhou um pouco no hospital, onde se reuniu à tarde com Paolo Rudelli, que o substitui na direção da seção de Assuntos Gerais da Secretaria de Estado.

Leão XIV também participou de uma missa celebrada em uma capela improvisada no décimo andar do hospital, onde fica seu quarto, acrescentou a fonte.

Um cartaz pendurado em uma das janelas da policlínica, que fica a noroeste do Vaticano, diz: "A hematologia saúda o papa!".

- "Encruzilhada" -

Apesar dos avanços, especialistas avaliam que o diagnóstico inesperado do papa poderá alterar de forma significativa alguns aspectos de seu papado.

“A doença funciona como uma encruzilhada em um pontificado: ou acelera seu impulso ou reduz sua força”, escreveu nesta quinta-feira o vaticanista Giacomo Galeazzi no jornal La Stampa.

Segundo Mikael Corre, correspondente do Vaticano para o jornal francês La Croix, a percepção sobre Leão XIV mudou.

“Ninguém esperava voltar a acompanhar boletins médicos tão cedo, e certamente não com este papa em particular, que tinha 69 anos no momento do conclave” em que foi eleito, declarou à AFP.

Em maio de 2025, Leão XIV, apaixonado por tênis e frequentador assíduo de academias antes de se tornar papa, tornou-se o homem mais jovem eleito para liderar a Igreja desde João Paulo II, quase 40 anos antes.

“Ele era o papa esportista, que também descobrimos ser um grande viajante. Pode continuar sendo, mas, a partir de agora, será também um papa cuja saúde estará sob escrutínio constante”, acrescentou Corre.

- "Muito prudente" -

Leão XIV precisou cancelar todas as suas audiências até 20 de outubro, e seus planos de viagem no curto prazo agora estão em dúvida, em particular a visita ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, prevista de 6 a 17 de novembro.

Espera-se que retome suas atividades com uma agenda reduzida, com menos compromissos e atos públicos.

"Acho que vai querer voltar à ativa o quanto antes. Acho que vai se esforçar ao máximo", afirmou a vaticanista americana Elise Ann Allen, autora de uma biografia sobre o papa.

"Mas também é muito prudente. Leão conhece suas limitações e vai levá-las em consideração", declarou à AFP.

O primeiro papa americano conseguiu imprimir seu estilo à Igreja, pronunciando-se sobre alguns dos temas mais prementes, como as guerras e a inteligência artificial.

Além disso, tem demonstrado não ter medo de chamar a atenção de líderes mundiais, nem de se defender dos ataques do presidente americano, Donald Trump.

"Não vamos vê-lo mudar de estilo", afirmou Allen. "Sustos como esse ajudam a ter as coisas claras, a perceber o que é importante", afirmou.

- "Mudança de prioridades" -

Leão XIV ainda não nomeou cardeais, os "príncipes da Igreja" que votarão no conclave para escolher seu sucessor.

Cinco responsáveis por dicastérios, os departamentos do Vaticano, também já atingiram a idade de aposentadoria (75 anos) e não foram substituídos.

O papa herdou uma Igreja dividida, com facções liberais e conservadoras envolvidas em disputas durante o pontificado de seu antecessor, o argentino Francisco.

Embora lhe tenha sido confiada a tarefa de superar a polarização, algumas fontes do Vaticano acreditam que a doença levará o papa a substituir aliados próximos de Francisco nos dicastérios-chave por figuras mais conservadoras, observou Corre.

Outros esperam que, ao contrário, ele prossiga com os esforços diplomáticos, que já "trouxeram grande estabilidade", assinalou Allen.

"Acho que esta crise de saúde atenuou ainda mais essas fricções", afirmou. "Unificou a Igreja Católica em torno do papa Leão de uma maneira muito sólida", concluiu a vaticanista.

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P.Vogel--VB