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Uso de luvas de choques elétricos por agentes de imigração aumenta temor de abusos nos EUA
Os planos de equipar os agentes de imigração dos Estados Unidos com luvas capazes de dar choques elétricos aumentam a preocupação com possíveis abusos de parte de uma corporação que, segundo seus críticos, atua com zelo excessivo e carece de formação adequada.
"Como se não bastasse agredir e atirar em pessoas nas ruas", lamentou no X o representante democrata Maxwell Frost. "Agora gastam 20 milhões de dólares (R$ 103,7 milhões) em luvas dolorosas de choque elétrico para seus capangas encapuzados que agem à margem da lei".
"É preciso frear o ICE", afirmou Frost, em alusão ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês), a agência encarregada principalmente de executar o plano do presidente americano, Donald Trump, de deportar milhões de imigrantes em situação irregular.
O ICE tem sido alvo de críticas devido a uma série de ataques a tiros mortais durante operações de controle, incluídos os casos de dois cidadãos americanos em Minnesota, ocorridos em janeiro. Ambos participavam de protestos contra a agência.
Os críticos concentram suas atenções na linha-dura empregada pelos agentes do ICE para deter imigrantes e em uma suposta redução dos padrões de formação dos novos recrutas.
O plano de aquisição destas luvas - informado inicialmente pela agência de notícias Associated Press — prevê que o Departamento de Segurança Interna (DHS), a agência matriz do ICE, gaste entre 10 milhões e 20 milhões de dólares (entre 51,8 milhões e 103,7 milhões de reais) em dispositivos descritos como ferramentas de "distração e desescalada".
O dispositivo GLOVE (sigla em inglês para Emissor de Voltagem de Baixa Intensidade Gerada) é fabricado pela Compliant Technologies, uma empresa sediada no Kentucky, que se apresenta em seu site na internet como provedora de "ferramentas não letais de última geração para empoderar e proteger aqueles que servem".
O GLOVE libera uma descarga menos potente que a de uma pistola Taser, outro dispositivo usado pelas forças de ordem para subjugar os suspeitos.
Em resposta a consultas sobre as luvas, o DHS declarou que o ICE "avalia constantemente as necessidades de seus agentes no terreno para garantir que disponham das ferramentas e do equipamento necessários para deter e expulsar de forma segura os imigrantes ilegais com antecedentes criminais".
"Cada decisão é tomada após uma análise e é revisada adequadamente para assegurar que qualquer tecnologia utilizada pelo ICE seja coerente com todas as políticas e normas aplicáveis às forças de ordem", afirmou o DHS em um comunicado.
- "Uso indevido" -
John Sandweg, que atuou como diretor interino do ICE durante a presidência do democrata Barack Obama, declarou, em entrevista ao MS NOW, que os agentes do ICE têm um "trabalho incrivelmente difícil", mas expressou preocupação com as luvas de choques elétricos.
"Empregar esta tecnologia - que, deve-se reconhecer, é menos que letal — em uma época na qual realmente não temos muito interesse em capacitar os agentes sobre como utilizá-la, é realmente alarmante", afirmou Sandweg.
"Não é preciso ter muita imaginação para visualizar o uso desta tecnologia contra uma mãe que, talvez, só ofereça uma resistência mínima ao ser separada de seus filhos", ressaltou. "É fácil demais que se faça um uso indevido dela contra uma população que não representa nenhuma ameaça".
A representante democrata Pramila Jayapal expressou inquietações similares.
"O ICE pôs na alça de mira manifestantes e cidadãos comuns que se dirigiam para o trabalho ou levavam seus filhos para a escola", escreveu no X.
"Isto não vai aumentar a segurança de ninguém; de fato, simplesmente dota o ICE de outra ferramenta perigosa para agir contra cidadãos (americanos) e imigrantes por igual", acrescentou.
A União Americana para as Liberdades Civis (ACLU) anunciou, em julho, ter apresentado mais de 50 ações judiciais contra o governo federal em nome de pessoas e famílias supostamente prejudicadas por atos de agentes de imigração em 17 estados e em Washington.
O ICE também deteve em julho mais de 51.000 pessoas por infrações migratórias em todo o país - o maior número em um único mês desde que Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025 —, reportaram veículos de imprensa americanos, citando fontes do Departamento de Segurança Interna (DHS).
S.Leonhard--VB