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Quase 6 mil pessoas morreram em protestos no Irã, afirma ONG dos EUA
Um grupo de direitos humanos com sede nos Estados Unidos declarou nesta segunda-feira (26) que confirmou a morte de quase 6 mil pessoas nas manifestações duramente reprimidas no Irã, onde os Estados Unidos nunca descartaram uma intervenção militar.
Os protestos que sacodem a República Islâmica começaram no fim de dezembro contra o custo de vida, mas se transformaram em um movimento contra o regime teocrático estabelecido desde a revolução de 1979.
Grupos de direitos humanos acusaram as autoridades de atirar diretamente contra os manifestantes e de bloquear o acesso à Internet desde 8 de janeiro para ocultar a dimensão da repressão.
Os líderes religiosos seguem no poder apesar do desafio representado pelos protestos, e opositores do sistema veem na intervenção externa o motor mais provável de mudança.
O presidente americano, Donald Trump, mantém sobre a mesa a opção de uma intervenção militar e informou que Washington enviou uma frota da Marinha à região.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã reagiu nesta segunda-feira e advertiu que responderia de forma "contundente" a qualquer "agressão".
As ONGs que monitoram o número de vítimas da repressão denunciaram que seu trabalho foi dificultado pelo bloqueio da Internet. Também advertiram que os números citados pelas autoridades provavelmente são muito inferiores ao total real de vítimas.
A organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, afirmou ter confirmado a morte de 5.848 pessoas, entre elas 209 integrantes das forças de segurança.
No entanto, o grupo acrescentou que ainda investiga outras 17.091 possíveis mortes. Segundo a organização, ao menos 41.283 pessoas foram detidas.
Em seu primeiro balanço oficial dos protestos, as autoridades iranianas informaram na semana passada 3.117 mortes, a maioria de integrantes das forças de segurança ou de transeuntes inocentes assassinados por "vândalos".
- "Estamos vigiando o Irã" -
O observatório Netblocks confirmou que o bloqueio da Internet segue em vigor e afirmou que busca ocultar "a dimensão da repressão mortal contra a população civil".
No fim de semana passado, o canal de televisão em farsi Iran International, com sede no exterior, afirmou que mais de 36.500 pessoas foram mortas pelas forças de segurança entre 8 e 9 de janeiro, citando relatórios, documentos e fontes. Não foi possível verificar imediatamente essa informação.
Enquanto isso, os Estados Unidos concentram forças na região e Trump mantém aberta a possibilidade de uma intervenção militar, após ameaçar Teerã no auge dos protestos.
"Estamos vigiando o Irã", afirmou o presidente americano. "Prefiro que nada aconteça, mas estamos vigiando muito de perto", insistiu.
A imprensa americana informou que Washington enviou o porta-aviões USS Abraham Lincoln à região.
Em junho, os Estados Unidos intervieram brevemente na guerra de Israel contra o Irã, atacando instalações nucleares iranianas.
Israel também bombardeou o programa de mísseis balísticos de Teerã e matou vários altos funcionários de segurança iranianos durante os 12 dias de conflito.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, advertiu contra uma eventual intervenção e disse que o país tinha "confiança em suas próprias capacidades".
"A chegada de um navio de guerra desse tipo não afetará a determinação e a seriedade do Irã para defender a nação", afirmou, em aparente referência ao USS Abraham Lincoln.
L.Meier--VB