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Pedro Sánchez promete 'absoluta transparência' sobre causas de acidente ferroviário na Espanha
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, prometeu nesta segunda-feira (19) "absoluta transparência" sobre as causas do acidente ferroviário entre dois trens que deixou ao menos 40 mortos no domingo no sul do país, um balanço que pode aumentar porque as operações de busca por vítimas entre os destroços de um dos trens continuam.
O número de vítimas da tragédia ocorrida na região da Andaluzia subiu para 40 mortos na tarde de segunda-feira, um a mais em relação ao balanço anterior, explicou à imprensa o presidente da região, Juan Manuel Moreno Bonilla.
"São atualmente 40 mortos", disse o político em uma coletiva de imprensa em Adamuz, Córdoba, onde ocorreu o sinistro, acrescentando que serão necessárias "24 a 48 horas" para "saber com certeza quantos mortos se produziram neste terrível acidente".
Segundo o centro de dados (C.I.D.) criado para a catástrofe, 23 dos falecidos já passaram por autópsia e cinco foram "plenamente" identificados.
A catástrofe deixou também mais de uma centena de feridos, dos quais 41 permaneciam hospitalizados nesta segunda-feira em vários hospitais de Córdoba. Quatro dos feridos hospitalizados são crianças.
Além disso, foram apresentadas 43 denúncias de desaparecimento relacionadas à tragédia, que podem se referir a pessoas cujos corpos já foram encontrados, mas ainda não identificados.
Muitos familiares recorreram a mensagens nas redes sociais para tentar encontrar seus parentes.
O principal obstáculo para estabelecer o balanço definitivo é o acesso a dois vagões de um dos trens, que caíram de uma altura de vários metros e se transformaram em um amontoado de ferragens.
"Um grande guindaste" chegou à área para "poder levantar esses vagões do Alvia, onde poderiam encontrar-se cidadãos falecidos", explicou o presidente andaluz.
Quando for possível acessar os vagões, "poderemos saber com certeza quantos mortos se produziram", acrescentou.
- O que ocorreu? -
A colisão ocorreu às 19h45 locais (15h45 de Brasília) de domingo, perto de Adamuz, cerca de 200 km ao norte de Málaga. Um trem da operadora privada Iryo descarrilou quando fazia a rota de Málaga a Madri, com cerca de 300 pessoas a bordo, e colidiu com um trem da companhia pública Renfe, que seguia da capital para Huelva, no sudoeste, transportando 184 passageiros.
Os primeiros elementos da investigação indicam que os vagões traseiros do Iryo descarrilaram e, em seguida, o outro comboio, que vinha em sentido contrário, colidiu contra eles.
"A locomotiva do trem que circulava de Madri a Huelva impactou, isso é o que sabemos até o momento, com um ou vários desses carros que haviam se atravessado", explicou durante a madrugada o ministro dos Transportes, Óscar Puente. O impacto foi tão violento que os dois primeiros vagões do Madri–Huelva foram arremessados, indicou.
A empresa Iryo informou que o trem foi fabricado em 2022 e que sua "última revisão foi realizada em 15 de janeiro".
- Causas ainda desconhecidas -
"Gostaria de transmitir à cidadania espanhola que vamos chegar à verdade, que vamos conhecer a resposta e que, quando essa resposta sobre a origem da causa desta tragédia (...) for conhecida, com absoluta transparência e absoluta clareza, tornaremos isso público", afirmou o presidente do governo, Pedro Sánchez, nesta segunda-feira, em Adamuz.
Ocorrido em um trecho reto, o acidente foi "muito estranho", avaliou o ministro Puente, que indicou ter ocorrido em uma via "completamente renovada".
"Todos os especialistas em matéria ferroviária (...) estão muito intrigados com o acidente", acrescentou.
"A falha humana está praticamente descartada", assegurou, por sua vez, o presidente da Renfe, Álvaro Fernández Heredia, em entrevista à rádio pública, descrevendo um acidente em "circunstâncias estranhas".
Também não parecia tratar-se de um problema de excesso de velocidade, avaliou, já que nesse trecho, com circulação limitada a 250 km/h, um dos trens seguia a 205 km/h e o outro a 210 km/h.
- Espanha, em choque -
Em um bairro residencial próximo à praça de touros de Córdoba, a Guarda Civil montou um centro para receber familiares dos afetados.
Pessoas entravam e saíam, cabisbaixas e com o olhar sombrio. Um homem se agachou contra o muro do centro e soluçava enquanto falava ao telefone. Algumas pessoas o ampararam e o abraçaram enquanto ele tirava um lenço para enxugar as lágrimas.
A família real tem previsão de visitar a região na terça-feira. O presidente do governo Pedro Sánchez anunciou três dias de luto oficial.
Os serviços ferroviários entre Madri e a Andaluzia foram interrompidos e não serão totalmente restabelecidos até, provavelmente, 2 de fevereiro, estimou o ministro dos Transportes.
Em julho de 2013, a Espanha já havia sofrido uma grave tragédia ferroviária com o descarrilamento de um trem pouco antes de chegar à cidade galega de Santiago de Compostela, que deixou 80 mortos.
jg-mig-rs-al/mdm/am
B.Wyler--VB