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Bombardeios dos EUA na Nigéria tiveram como alvo extremistas do EI e Lakurawa
Os bombardeios dos Estados Unidos na Nigéria esta semana tiveram como alvo combatentes do grupo extremista Estado Islâmico (EI) do Sahel que estavam no país para colaborar com a organização Lakurawa e com "bandidos", informou à AFP, neste sábado (27), um porta-voz do presidente nigeriano.
As forças dos Estados Unidos bombardearam alvos do EI no país africano depois que Washington afirmou, nos últimos meses, que os cristãos enfrentavam uma "ameaça existencial" equivalente a um "genocídio", no país.
Os alvos exatos dos ataques, executados durante a noite de quinta-feira, não estavam claros.
Washington e Abuja já haviam afirmado que os ataques foram direcionados contra combatentes vinculados ao Estado Islâmico, sem revelar detalhes sobre quais dos muitos grupos armados da Nigéria foram alvejados.
"Os alvos foram o EI, a organização armada Lakurawa e os 'bandidos'", afirmou à AFP Daniel Bwala, porta-voz do presidente nigeriano, Bola Tinubu.
"O grupo EI encontrou seu caminho pelo Sahel para ir ao socorro da Lakurawa e de bandidos com suprimentos e treinamento", disse.
O grupo Estado Islâmico – Província do Sahel (ISSP, na sigla em inglês) opera no vizinho Níger, assim como em Burkina Faso e Mali, onde protagoniza uma insurgência violenta contra os governos destes países.
A Nigéria enfrenta há muito tempo seu próprio conflito jihadista, mas analistas estão preocupados com a expansão dos grupos armados do Sahel em direção ao país.
"O ataque aconteceu em um local onde, historicamente, os bandidos e os Lakurawa costumam atuar", explicou Bwala.
"As informações compiladas pelo governo americano também indicam que está ocorrendo uma movimentação em larga escala do EI do Sahel para esta região", acrescentou.
Os ataques provocaram vítimas, mas as identidades ainda não foram determinadas, acrescentou Bwala.
O local onde os ataques ocorreram, no estado de Sokoto, noroeste da Nigéria, gerou questionamentos para os analistas, pois os grupos jihadistas da Nigéria costumam ficar concentrados no nordeste.
Recentemente, investigadores apontaram vínculos entre alguns membros do grupo armado Lakurawa, presente no estado de Sokoto, e um braço do EI.
Outros analistas, no entanto, questionaram os vínculos. A investigação sobre o grupo Lakurawa é complicada, já que o termo tem sido utilizado para descrever vários combatentes armados no noroeste do país.
- Disputa diplomática -
Na região noroeste da Nigéria, grupos criminosos conhecidos como 'bandidos' representam a maior preocupação de segurança.
Os 'bandidos' saqueiam vilarejos, sequestram moradores para pedir resgates e extorquem agricultores e garimpeiros em amplas áreas rurais fora do controle do governo.
Na sexta-feira, o ministro da Informação da Nigéria, Mohammed Idris, afirmou que os ataques atingiram "dois importantes redutos terroristas do Estado Islâmico" no distrito de Tangaza, no estado de Sokoto.
Os ataques, que segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foram adiados até 25 de dezembro para "dar um presente de Natal" aos combatentes, aconteceram após uma disputa diplomática entre Washington e Abuja.
Analistas independentes e o governo da Nigéria não aceitam classificar a violência no país como resultado de perseguição religiosa, uma narrativa promovida pela direita cristã nos Estados Unidos e na Europa.
A Nigéria está dividida em partes quase iguais entre a maioria muçulmana no norte e uma grande população de cristãos no sul.
G.Schmid--VB