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Inundações na Ásia provocaram mais de 1.500 mortes
O número de mortes provocadas pelas inundações que atingem vários países da Ásia superou nesta quarta-feira (3) a marca de 1.500, enquanto as autoridades do Sri Lanka e da ilha indonésia de Sumatra lutam para chegar às pessoas desesperadas por ajuda.
Uma temporada de monções intensa e dois ciclones tropicais incomuns provocaram, desde a semana passada, tempestades na Indonésia, Sri Lanka, Tailândia e Malásia.
As mudanças climáticas provocam chuvas mais intensas, já que uma atmosfera mais quente retém mais umidade.
Na Indonésia, o desespero entre os afetados pela tragédia aumenta devido à lentidão dos trabalhos de resgate e distribuição de ajuda.
As organizações humanitárias afirmaram que a dimensão do desafio é quase sem precedentes, mesmo para um país que já sofreu muitos desastres naturais.
Em toda a ilha de Sumatra, o balanço de vítimas foi revisado e diminuiu para 770 mortos e pelo menos 463 desaparecidos. Algumas horas antes, a agência de gestão de desastres havia anunciado 804 falecidos.
Muitas regiões continuam isoladas devido aos danos provocados pelas inundações, por cortes de energia elétrica e de comunicações ou por ambos.
"É muito difícil responder do ponto de vista logístico", afirmou Ade Soekadis, diretor-executivo da organização humanitária 'Mercy Corps Indonesia'.
"A magnitude dos danos e o tamanho da área afetada são realmente enormes", disse
A organização pretende enviar material de higiene e água às pessoas afetadas, por considerar que os relatos sobre a escassez de produtos essenciais e alimentos eram "muito preocupantes".
- "Como um terremoto" -
Em um abrigo improvisado em Padan, no norte de Sumatra, Reinaro Waruwu, 52 anos, disse à AFP que, como muitos outros, estava "decepcionado" com a resposta do governo.
"Alguns esperaram um dia e uma noite pela ajuda, por isso não conseguiram ser salvos" disse, ao lado de outros desabrigados. "Estou frustrado, não preciso falar duas vezes".
Ele descreveu as inundações e os deslizamentos de terra como algo nunca visto. "Foi como um terremoto (...). Pensei: 'Bem, se vou morrer, que assim seja'", disse, antes de começar a chorar.
Hamida Telaumbaunua, 37 anos, disse que a água levou toda a sua cozinha. "Meu coração... foi a primeira vez que vivi uma inundação assim", disse. "É difícil pensar no que o futuro nos reserva. Talvez, enquanto estivermos aqui, tudo ficará bem, mas depois (...) não sei o que vai acontecer".
O mesmo fenômeno meteorológico que atingiu a Indonésia também provocou fortes chuvas no final de novembro na Tailândia, onde pelo menos 267 pessoas morreram em oito regiões, incluindo 142 no popular distrito turístico de Hat Yai, informaram as autoridades do país nesta quarta-feira.
Na Malásia, as inundações deixaram dois mortos.
- Sri Lanka, aberta ao turismo -
Outro fenômeno, o ciclone Ditwah, desencadeou chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos de terra em grande parte do Sri Lanka na semana passada. Pelo menos 474 pessoas morreram no país.
"Nossa estimativa inicial é que precisaremos de entre 6 e 7 bilhões de dólares para a reconstrução", afirmou Prabath Chandrakeerthi, comissário-geral de Serviços Essenciais.
Além disso, 356 pessoas continuam desaparecidas e algumas regiões que permanecem inacessíveis em grande parte. As autoridades afirmaram que as leis que permitem declarar uma pessoa falecida somente após seis meses de desaparecimento poderiam ser modificadas para agilizar a emissão de certidões de óbito.
Nas imediações da capital Colombo, R.M.V. Lalith começou a limpar sua casa de dois andares. "Conseguimos salvar alguns móveis, levando para o andar de cima, mas a cozinha virou um desastre", disse à AFP, enquanto um parente o ajudava a retirar a lama.
Apesar da catástrofe, o país, muito dependente do turismo, recebeu na terça-feira um cruzeiro de luxo no porto da capital, informaram as autoridades.
burs-sah/kaf/arm/avl/fp-jc
T.Germann--VB