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Inundações deixam quase 400 mortos em Indonésia, Tailândia e Sri Lanka
O balanço das inundações que afetam o Sudeste Asiático aumentou consideravelmente nesta sexta-feira (28), e se aproxima de 400 mortos, com pelo menos 145 óbitos na Tailândia, 174 na Indonésia e 69 em Sri Lanka.
As mesmas cenas se repetem nos três países: cidades submersas, moradores isolados e deslizamentos de terra provocados pelas chuvas intensas que afetam a região há vários dias.
Na ilha indonésia de Sumatra (oeste do país), as inundações e deslizamentos de terra deixaram pelo menos 174 mortos e 80 desaparecidos, segundo o balanço mais recente.
O diretor da agência nacional de gestão de desastres (BNPB) alertou que o número de mortos pode seguir aumentando porque "algumas áreas ainda estão inacessíveis". O balanço anterior no país era de 111 vítimas fatais.
"A prioridade é resgatar e dar assistência à população. Esperamos que o tempo melhore para enviar um helicóptero", explicou Ferry Walintukan, porta-voz da polícia do norte de Sumatra. Os acessos por terra permanecem bloqueados.
Em Medan, no norte de Sumatra, um fotógrafo da AFP relatou que a enchente chegava até sua cintura.
Na região de Sumatra Ocidental, Misniati, 53 anos, relatou a luta contra a enchente para se reunir com seu marido.
"Vi a rua inundada. Tentei voltar para avisá-lo, mas a água já chegava na altura da minha cintura", disse à AFP.
Ela lutou contra a correnteza que ameaçava arrastá-la e chegou em casa com a água na altura do peito. "Passamos a noite em claro, atentos ao nível da água", afirmou.
- Necrotério lotado -
Na Tailândia, o porta-voz do governo, Siripong Angkasakulkiat, informou que o número de mortos nas províncias do sul subiu para 145, com mais de 100 óbitos apenas em Songkhla. O balanço, que até quinta-feira era de 55 mortos, quase triplicou em apenas um dia.
O sul do país é o mais afetado. No distrito de Hat Yai, os habitantes foram obrigados a subir nos telhados de suas casas para aguardar o resgate em embarcações.
Na província de Songkhla, com o maior número de vítimas, o necrotério de um hospital estava sobrecarregado. "O necrotério está lotado, precisamos de mais espaço", declarou à AFP Charn, diretor do estabelecimento que revelou apenas o primeiro nome.
Na quinta-feira, os moradores relataram a enchente súbita. "A água atingiu o teto do segundo andar", contou Kamban Wongpanya, 67 anos, resgatado de barco.
Chayaphol Promkleng, comerciante, acreditou em um primeiro momento que sua loja escaparia do desastre porque a água estava na altura dos tornozelos. Porém, no dia seguinte, o nível alcançou sua cintura e ele foi obrigado a fugir.
Nesta sexta-feira, o governo nacional suspendeu o administrador do distrito de Hat Yai por sua resposta insuficiente à emergência.
Mais a oeste, no Sri Lanka, as autoridades mobilizaram o Exército para ajudar as vítimas das inundações e deslizamentos de terra que deixaram 69 mortos e 34 desaparecidos.
Entre os falecidos, 26 foram soterrados em deslizamentos de terra no distrito de Badulla, no centro do país, segundo o Centro Nacional de Gestão de Desastres (DMC).
Helicópteros e embarcações da Marinha realizaram múltiplas operações de resgate, evacuando habitantes que haviam buscado refúgio em árvores, telhados e localidades isoladas pelas inundações.
As tempestades ainda afetam a ilha, onde algumas regiões registraram até 360 milímetros de chuva nas últimas 24 horas.
Na Malásia, as cheias que devastaram amplas áreas do norte do estado de Perlis deixaram duas vítimas fatais.
Os países do Sudeste Asiático sofrem com inundações e deslizamentos de terra durante a temporada de chuvas, que vai de novembro a abril. Desta vez, as chuvas de monção foram agravadas por uma tempestade tropical que atingiu a região.
As mudanças climáticas tornaram as tempestades mais severas, com chuvas torrenciais, enchentes repentinas e ventos mais violentos.
O aumento da temperatura favorece o acúmulo de umidade e episódios de chuva extrema, enquanto o aquecimento dos oceanos amplifica a intensidade das tempestades.
Para Uli Arta Siagian, diretora da ONG ambiental indonésia WALHI, o desenvolvimento excessivo também é responsável pelas inundações e deslizamentos de terra.
"Se a cobertura florestal continuar diminuindo e for substituída por monoculturas de palma de óleo, mineração ou outras atividades, nosso sistema ecológico perderá a capacidade de regular a água", alertou.
L.Maurer--VB