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Bolívia anuncia retorno da DEA; produção de cocaína acende alerta
A agência dos Estados Unidos para o combate às drogas (DEA) vai retornar "muito em breve" à Bolívia, após ser expulsa em 2008, informou nesta sexta-feira (21) à AFP o "czar antidrogas" boliviano Ernesto Justiniano, que classificou de "exorbitantes" os números estimados de produção de cocaína no país.
Justiniano, 56, descreveu como será a nova estratégia contra as drogas, após a chegada ao poder de Rodrigo Paz, de centro-direita.
O novo governo busca realizar uma mudança política, econômica, social e diplomática drástica no que foi feito no país nos governos dos esquerdistas Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025).
A erradicação das folhas de coca, matéria-prima para a produção de cocaína, e o combate aos cartéis de drogas são tarefas centrais, e La Paz mira em Washington e em seus vizinhos sul-americanos como aliados estratégicos na luta contra esse flagelo.
Segundo dados da ONU, a Bolívia é o terceiro maior produtor mundial de coca e cocaína, atrás de Colômbia e Peru.
- Retorno em breve -
A DEA está ausente da Bolívia desde o rompimento das relações bilaterais em 2008, quando o então presidente, Evo Morales, expulsou o embaixador dos Estados Unidos, a quem acusava de apoiar um movimento de direita que, segundo ele, buscava dividir o país andino.
A chegada de Rodrigo Paz ao poder, no começo do mês, renovou os laços entre os dois países, o que abriu caminho para o retorno da agência americana.
A DEA vai retornar "muito em breve, porque existe um compromisso político, e isso é o mais importante", disse Justiniano. Ele informou que a principal tarefa será a retomada da troca de informações.
"A cooperação internacional é fundamental", destacou a autoridade, que pediu aos países vizinhos e à Europa que respondam aos requerimentos da Bolívia. Para ele, o objetivo é claro: "Não seremos mais um país isolado, um país egocêntrico que age apenas por necessidade política."
A DEA e a presença dos Estados Unidos não agradam aos plantadores de coca de Morales, no Chapare (centro).
- Aumento exorbitante -
Justiniano, que, no começo dos anos 2000, já havia ocupado o mesmo cargo de vice-ministro de Defesa Social e Substâncias Controladas, é chamado localmente de "czar antidrogas". Engenheiro e administrador de empresas, ele é o responsável político dessa área.
O objetivo de Justiniano é erradicar plantações de folhas de coca e combater o narcotráfico. A Bolívia possui 31 mil hectares de coca, segundo a ONU, dos quais apenas 22 mil são reconhecidos como legais. Não há dados atualizados sobre o potencial de produção de cocaína.
Justiniano diz ter cálculos próprios e estima que a produção anual gire em torno de 300 toneladas por ano. "Há 20 anos, falávamos em 345 kg de folhas de coca necessários para produzir 1 kg de cocaína. Entendo que, atualmente, são 140 a 160 kg da planta. Posso produzir mais do que o dobro de cocaína."
Segundo o vice-ministro, isso se deve à modernização da técnica com o uso de produtos químicos e a moagem da planta. "Os números são exorbitantes."
Ao assumir o cargo, Justiniano se deparou com dívidas milionárias para pagar a manutenção de aviões e helicópteros e outros recursos, motivo pelo qual insiste em que a cooperação internacional é urgente.
O novo governo boliviano herda a crise econômica mais grave em quatro décadas, devido à escassez de dólares.
T.Ziegler--VB