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Equador vota sobre volta de bases militares estrangeiras e nova Constituição
Os equatorianos começaram a votar neste domingo(16) em um referendo sobre o retorno das bases militares estrangeiras e a redação de uma nova Constituição, com o qual o presidente Daniel Noboa pretende endurecer sua luta contra o crime apoiado pelos Estados Unidos.
Quase 14 milhões de equatorianos votarão com a preocupação da violência galopante em um país que até uma década atrás era tranquilo, e em meio a tensões pelos bombardeios dos Estados Unidos a barcos que supostamente traficam drogas no Caribe e no Pacífico.
Além disso, poucos minutos após o início da votação, Noboa anunciou a captura do chefe da poderosa gangue criminosa Los Lobos na Espanha.
"Que esta jornada nos ratifique que a democracia se exerce, se honra e se defende votando", disse a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Diana Atamaint, ao declarar inaugurada a votação obrigatória, que se estenderá até as 17h00 locais (19h em Brasília GMT).
Muito próximo à Casa Branca e com um discurso de mão dura contra o crime, Noboa busca mais poder para dobrar as diversas gangues que semeiam terror no país.
As opiniões sobre sua gestão estão divididas.
"Não gosto nada do que ele está fazendo (Noboa). Não há saúde, não há segurança", lamentou Ana Manotoa, após votar no setor de San Miguel del Común, no norte de Quito e foco dos recentes protestos indígenas contra o aumento do diesel.
Seu voto foi uma "rejeição ao governo", assegurou a mulher de 36 anos.
Além do retorno das bases militares estrangeiras proibidas desde 2008 e da redação de uma nova Constituição, os equatorianos devem decidir se encerram o financiamento estatal aos partidos políticos e se reduzem o número de congressistas.
Segundo a empresa de pesquisa Cedatos, o Sim triunfará com um apoio de mais de 61%.
Noboa anunciou minutos após o início da votação a captura de Wilmer Chavarría, conhecido como Pipo.
Los Lobos controla operações de mineração ilegal e está associado ao cartel Jalisco Nueva Generación, segundo o presidente.
"Hoje capturamos 'Pipo' Chavarría, o criminoso mais procurado da região e líder máximo de Los Lobos. O criminoso que fingiu sua morte, mudou de identidade e se escondeu na Europa", indicou o mandatário no X.
Noboa convocou o referendo depois que a Justiça bloqueou várias de suas iniciativas por considerá-las contrárias a direitos fundamentais, como a castração química para estupradores ou a vigilância sem ordem judicial.
"Há partes que convêm e há partes que não nos convêm" do referendo, disse Carlos Vaca, um zelador de 60 anos.
Ele apoia a redução do número de deputados, mas rejeita uma nova Constituição e as bases militares por considerar que se trata de algo "enganoso".
Militares americanos "já estiveram em Galápagos e fizeram desastres" durante a Segunda Guerra Mundial, expressou.
Washington tem mostrado interesse em voltar a operar militarmente na base de Manta, onde houve voos antidrogas americanos entre 1999 e 2009, ao mesmo tempo que estreita laços mediante acordos migratórios e tarifários com Noboa.
A ideia de uma base estrangeira como solução "para o problema da violência é uma ingenuidade e uma mentira total", expressou Luis Córdova, pesquisador do Observatório Equatoriano de Conflitos da estatal Universidade Central.
Para o especialista, o presidente americano, Donald Trump, tem "interesse" em um "acesso fácil" a pontos-chave como Galápagos, a 1.000 quilômetros da costa continental.
Noboa goza de 56% de aprovação à sua gestão que termina em 2029.
O mandatário de 37 anos, nascido nos Estados Unidos, tornou-se um dos maiores aliados do governo de Trump na região.
U.Maertens--VB