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UE e China alertam contra atritos comerciais após retorno de Trump à Casa Branca
A presidente da Comissão Europeia, o chefe de governo alemão e o vice-premiê chinês defenderam a cooperação global nesta terça-feira (21) em Davos, enquanto o fantasma de novas guerras comerciais paira após o retorno de Donald Trump à Casa Branca.
O presidente americano, que fará um discurso online no Fórum Econômico Mundial na Suíça ao longo da semana, tem sido um "elefante na sala" para os executivos e líderes que participam da conferência anual nos Alpes suíços.
Em seus discursos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o vice-premiê chinês, Ding Xuexiang, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, ofereceram visões do mundo que são opostas às de Trump, um autoproclamado defensor das tarifas.
"O protecionismo não leva a lugar nenhum e não há vencedores em uma guerra comercial", disse Ding, sem mencionar Trump diretamente.
Trump ameaçou, na segunda-feira, impor tarifas se Pequim rejeitasse sua proposta de manter o aplicativo chinês TikTok online sob a condição de que metade dele fosse vendido.
Pequim, que adota uma abordagem cautelosa em relação ao republicano, afirmou, após a ameaça sobre o TikTok, que espera que os Estados Unidos ofereçam um ambiente de negócios justo para as empresas chinesas.
Enquanto isso, von der Leyen adotou um tom conciliatório, afirmando que a "primeira prioridade da UE será se engajar cedo, discutir interesses comuns e estar pronta para negociar" com Trump.
"Seremos pragmáticos, mas sempre manteremos nossos princípios, para proteger nossos interesses e defender nossos valores", disse ela.
A presidente da Comissão Europeia também afirmou que a Europa "deve se envolver de maneira construtiva com a China – para encontrar soluções do nosso interesse mútuo", apesar das crescentes tensões comerciais entre os dois.
Bruxelas provocou a ira de Pequim com uma série de investigações que visam subsídios estatais no setor de tecnologia verde, além de impor tarifas sobre carros elétricos chineses.
Em uma referência velada às medidas da União Europeia, Ding alertou contra "erguer barreiras verdes que possam prejudicar a cooperação econômica e comercial normal".
- Mais acordos comerciais -
Trump afirmou durante a campanha que iria impor tarifas adicionais sobre aliados, incluindo a UE, assim como sobre a China.
Após tomar posse, o republicano levantou a possibilidade de impor tarifas de 25% a Canadá e México.
Von der Leyen reiterou seu compromisso com o livre comércio, apontando para acordos recentes da UE com Suíça, México e Mercosul.
A presidente da Comissão Europeia também disse que ela e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi desejam "atualizar" sua parceria.
Scholz se comprometeu a "defender o livre comércio" com outros parceiros, alertando que "a isolação vem à custa da prosperidade".
"O presidente Trump diz 'América em primeiro' e ele realmente quer isso. Não há nada de errado em colocar os interesses do seu próprio país em primeiro lugar", disse Scholz.
"Mas, normalmente, a cooperação e o entendimento com os outros também estão no seu próprio interesse."
Foi provavelmente o último discurso de Scholz em Davos como chanceler antes das eleições na Alemanha no próximo mês.
Scholz usou seu discurso para fazer outra crítica ao proprietário da Tesla e do X, Elon Musk, que irritou o chanceler com seu apoio ao partido de extrema direita AfD da Alemanha.
"Temos liberdade de expressão na Europa e na Alemanha", disse Scholz.
"Qualquer um pode dizer o que quiser, mesmo que seja bilionário. O que não aceitamos é o apoio a posições de extrema direita."
O líder conservador Friedrich Merz, favorito para se tornar o próximo chanceler da Alemanha, deverá discursar no fórum ainda nesta terça-feira.
- Guerra e mudança climática -
Além das tarifas, Trump também abalou o mundo com sua decisão de retirar os EUA do Acordo de Paris sobre o clima.
Von der Leyen defendeu o pacto climático como a "melhor esperança para toda a humanidade" e prometeu que "a Europa manterá o curso".
A Ucrânia também observa atentamente o que o segundo mandato de Trump apresentará.
Discursando em Davos, o presidente ucraniano Volodimir Zelensky questionou se Trump está comprometido com a Otan e a segurança da Europa.
“O presidente Trump prestará atenção à Europa, considerará a Otan necessária e respeitará as instituições europeias?” questionou.
Conflitos no Oriente Médio também estão em alta na agenda, com o presidente israelense, Isaac Herzog, e o primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim al-Thani, falando em sessões separadas durante o primeiro dia completo do fórum.
Enquanto um frágil cessar-fogo se mantém na guerra entre Israel e Hamas, o Fórum Econômico Mundial sediará uma discussão sobre como melhorar a entrega de ajuda humanitária à Faixa de Gaza e de que maneira iniciar a reconstrução e a recuperação do território palestino, devastado por 15 meses de intensos bombardeios.
G.Frei--VB