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Líder do cartel de Sinaloa se declara inocente nos EUA
O cofundador do cartel de Sinaloa, Ismael "El Mayo" Zambada, declarou-se nesta sexta-feira (26) não culpado de tráfico de drogas nos Estados Unidos, depois de um filho de Joaquín "El Chapo" Guzmán ter aparentemente armado uma armadilha que acabou com ambos detidos.
Esta história curiosa parece ter saído de um filme de Hollywood.
Joaquín Guzmán López, filho do famoso narcotraficante El Chapo, traiu quem fora sócio de seu pai à frente do temido cartel de Sinaloa, segundo meios de comunicação americanos citando fontes policiais.
López parece ter convencido Zambada a embarcar com ele em um avião com destino ao norte do México. No entanto, a aeronave aterrissou em El Paso, no Texas, onde agentes americanos os prenderam.
De acordo com um relatório da agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA) publicado em maio, "Los Chapitos", como são conhecidos os filhos de El Chapo, estão travando "uma batalha interna" contra El Mayo, que aos 76 anos "não goza de boa saúde" e teria perdido poder na organização criminosa.
A facção já havia sofrido um duro golpe em maio, quando homens armados fizeram uma emboscada e assassinaram Eliseo Imperial Castro, sobrinho de El Mayo e conhecido como Cheyo Ántrax.
Nesta sexta-feira, El Mayo se declarou "não culpado" de todas as acusações, incluindo tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e conspiração para cometer assassinato, conforme um documento enviado por seu advogado a um tribunal em El Paso.
- Um líder esquivo -
Na quarta-feira, 31 de julho, o "capo dos capos" deve comparecer novamente à justiça, mas renunciou a se apresentar pessoalmente, podendo ser representado por seu advogado, informaram fontes oficiais americanas.
No dia seguinte, o líder esquivo, que nunca havia sido preso, deverá comparecer pessoalmente para uma audiência judicial perante a juíza distrital Kathleen Cardone, também em El Paso.
A DEA oferecia 15 milhões de dólares (R$ 84,7 milhões) por qualquer informação que permitisse prender este traficante histórico, inspiração de diversos “narcocorridos”, canções que narram a vida dos capos.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou nesta sexta-feira em comunicado ter desferido um duro golpe no cartel de Sinaloa, "uma das organizações mais mortíferas do mundo".
O México afirma que não participou na operação. Em sua coletiva de imprensa matinal, o presidente Andrés Manuel López Obrador pediu a Washington "um relatório completo", pois "é preciso haver transparência".
Na coletiva, foram divulgadas imagens dos dois líderes. El Mayo aparece vestido com uma camiseta azul dentro de um veículo já com o cinto de segurança, enquanto Guzmán López surge escoltado por agentes em uma pista de pouso.
A operação é um grande triunfo para o governo de Biden, que declarou guerra ao fentanil, um opioide sintético 50 vezes mais potente que a heroína e que causou mais de 70.000 mortes por overdose em 2023 nos Estados Unidos, segundo dados oficiais.
- "Famílias destruídas" -
"Muitos cidadãos perderam a vida devido ao flagelo do fentanilo. Muitas famílias foram destruídas e sofrem por causa dessa droga devastadora", lamentou Biden.
Guzmán López, de 38 anos, é acusado de "tráfico de grandes quantidades de cocaína, heroína e metanfetamina, entre outras drogas", precisou nesta sexta em um vídeo o secretário de Justiça dos Estados Unidos, Merrick Garland.
Guzmán López também comparecerá diante de "um tribunal federal nos próximos dias", afirmou.
Os Estados Unidos acusam o cartel de Sinaloa de fabricar fentanil "em massa" em laboratórios clandestinos no México com substâncias químicas provenientes principalmente da China.
"Contam com sócios nos Estados Unidos para distribuir as drogas nas ruas e nas redes sociais" e "utilizam organizações chinesas para transferir seus lucros" ao México e para a lavagem de dinheiro, segundo Anne Milgram, diretora da DEA.
El Mayo e Guzmán López integram uma lista de líderes e parceiros do cartel de Sinaloa nas mãos dos Estados Unidos, incluindo El Chapo, que cumpre prisão perpétua, assim como outro de seus filhos, Ovidio Guzmán, e um dos principais assassinos da organização, Néstor Isidro Pérez, conhecido como "Nini".
O governo mexicano enviou 200 efetivos das forças especiais do Exército para a cidade de Culiacán, capital de Sinaloa, para evitar que se repitam os distúrbios ocorridos em 2023, quando homens armados saíram furiosos às ruas após a prisão e extradição para os Estados Unidos de Ovidio Guzmán.
M.Schneider--VB