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Para economista-chefe do FMI, globalização não acabou, apenas se 'transformou'
A globalização não morreu, simplesmente se "transformou" com os impactos dos conflitos bélicos em diversas regiões do mundo e a onda protecionista, declarou à AFP, nesta sexta-feira (26), o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Pierre-Olivier Gourinchas.
O FMI prepara a publicação de uma atualização de suas previsões da economia mundial, em 8 de julho, que poderiam ser de baixa, após o impacto da guerra no Oriente Médio e as dificuldades no abastecimento de petróleo.
Gourinchas, economista-chefe do FMI, terá deixado então o cargo que ocupou por quatro anos e meio.
Ele acredita que os recentes abalos no comércio global provocados pelo 'tarifaço' do presidente americano, Donald Trump, não estão necessariamente acabando com a globalização, mas ajustando certas relações bilaterais.
A globalização "certamente não está morta", declarou à AFP o economista francês em seu escritório na sede do FMI, em Washington.
"O que temos presenciado é como se transformou", acrescentou.
Gourinchas disse que os últimos movimentos deveriam ser interpretados principalmente como "um desejo de reduzir o nível bilateral de comércio entre Estados Unidos e China. Não acho que isso seja um mistério para ninguém".
Para ele, no entanto, a recente agitação comercial - que levou a que os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos respondessem com tarifas próprias - também gerou oportunidades.
"Outros atores intervieram", disse.
"As cadeias de suprimentos se adaptaram. Países como México, Vietnã deram um passo adiante... Os países conectores que conseguiram crescer aproveitaram tudo isso", acrescentou.
Para estes países emergentes, o desafio é saber se a demanda de seus produtos nos países ricos será mantida.
"Existe esta preocupação de que potencialmente se crie uma armadilha (...) para muitas economias de mercados emergentes", afirmou.
As economias avançadas estão se voltando para dentro, disse.
"Isso deixa um espaço muito estreito para que realmente possam adotar um modelo de crescimento baseado nas exportações, que têm sido a receita de desenvolvimento e sucesso para muitos, muitos países", como a China, disse Gourinchas.
"Um país como a Índia, por exemplo, não tem nada claro se pode seguir os passos da China", destacou.
M.Betschart--VB