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Lula critica divisão da América Latina sobre a Venezuela
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quarta-feira (28), o "retrocesso" vivido na integração na América Latina, a ponto de não ter sido possível definir uma posição comum diante da recente intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela.
Lula, que participa de um fórum com vários líderes regionais no Panamá, rejeita a operação das forças militares americanas que levou à captura do agora presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro.
O mandatário brasileiro criticou, em particular, que a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), criada como um contrapeso à Organização dos Estados Americanos (OEA), com forte influência dos Estados Unidos, não tenha conseguido chegar a um consenso sobre os acontecimentos na Venezuela, o que qualificou como uma "afronta gravíssima".
"A CELAC não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região", lamentou, durante um discurso no Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe.
Ao chegar ao Panamá, na noite de terça-feira, Lula pediu a seu par americano, Donald Trump, que cuide da soberania e dos "interesses democráticos" da Venezuela, país que os Estados Unidos afirmam ter sob seu controle.
Também indicou que a paralisia se estende a desafios como o crime organizado e as mudanças climáticas.
"Vivemos um dos momentos de maior retrocesso em matéria de integração", acrescentou.
Lula sustentou, ainda, que os líderes da América Latina têm um grande volume de reuniões "repletas de ideias e iniciativas que nunca saem do papel".
"Nossas Cúpulas se tornaram rituais vazios, dos quais se ausentam os principais líderes regionais", adicionou.
O presidente brasileiro pediu o fortalecimento de uma visão regional que tenha a União Europeia como uma referência "positiva", mas sem "ignorar todas as diferenças históricas, econômicas e culturais".
Para Lula, esta mudança também deve considerar a "proximidade geográfica" com os Estados Unidos, "seja pela sua presença ou pelo seu distanciamento, sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas".
O fórum, apresentado pelo Panamá como o "Davos latino-americano", termina na quinta-feira e é organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF).
A.Zbinden--VB