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Opositora María Corina Machado ganha Nobel da Paz e promete 'liberdade' na Venezuela
A líder opositora venezuelana María Corina Machado foi laureada nesta sexta-feira (10) com o Prêmio Nobel da Paz por sua "incansável" defesa da democracia diante do "brutal" governo de Nicolás Maduro.
A líder de 58 anos, que vive na clandestinidade na Venezuela, dedicou o prêmio ao "sofrido povo" de seu país e ao presidente dos Estado Unidos, Donald Trump, de quem espera ajuda para derrubar Maduro.
A opositora está escondida há mais de um ano para evitar uma prisão, após a reeleição de Maduro para um terceiro mandato, que ela denuncia como fraudulenta.
A nova conquista se soma a outros dois importantes prêmios internacionais, o Sakharov e o Václav Havel.
"Este imenso reconhecimento da luta de todos os venezuelanos é um impulso para completar a nossa tarefa: conquistar a Liberdade", disse no X a engenheira casada e mãe de três filhos. "A Venezuela será livre!", acrescentou.
"Estamos no limiar da vitória e hoje, mais do que nunca, contamos com o presidente Trump (...) Dedico este prêmio ao sofrido povo da Venezuela e ao presidente Trump por seu apoio decisivo à nossa causa", declarou.
A porta-voz da Casa Branca republicou a mensagem de Machado. Mas, minutos antes, o governo americano havia criticado a decisão do Comitê Norueguês do Nobel.
"O Comitê do Nobel provou que coloca a política acima da paz", escreveu no X o diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung.
Trump também almejava o Nobel por negociar um acordo entre Israel e o movimento palestino Hamas na Faixa de Gaza.
O prêmio, que será entregue em 10 de dezembro em Oslo, consiste em uma medalha de ouro, um diploma e uma quantia de 1,2 milhão de dólares (6,42 milhões de reais).
- "O maior reconhecimento" -
Machado foi premiada "por seu incansável trabalho de promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia", anunciou o presidente do Comitê, Jørgen Watne Frydnes.
"É um dos exemplos mais extraordinários da coragem civil na América Latina em tempos recentes", destacou.
O Comitê publicou um vídeo no qual a opositora recebe a notícia após ser acordada no meio da madrugada. Ela aparece em silêncio por alguns segundos, incrédula.
"Este é certamente o maior reconhecimento para o nosso povo, que realmente merece", disse emocionada.
A notícia caiu como uma surpresa nas ruas da Venezuela, onde a maioria fala de forma contida sobre Machado por medo de represálias e em meio à recordação das mais de 2.400 detenções após os protestos contra Maduro.
"Que Deus a ajude e que ela chegue logo" ao poder para "fazer algo por nós, os humildes, e por todo o país, porque, de verdade, estamos mal", disse uma aposentada de 75 anos, que pediu anonimato.
Mas nem todos comemoram. "É uma vergonha que esse prêmio tenha sido dado a essa senhora depois de tanto mal que fez à Venezuela", afirmou Luis Torres, um técnico de 65 anos.
O Nobel da Paz chega em meio à crise pelo envio de navios de guerra dos Estados Unidos ao Caribe, ação que tem o apoio de Machado e que Maduro denuncia como um cerco. Washington apresenta estas operações como iniciativas contra o tráfico de drogas e, simultaneamente, acusa o presidente venezuelano de liderar um cartel de drogas.
- Casa Branca descontente -
A opositora vive na clandestinidade desde que publicou em um site as atas emitidas pelas urnas eletrônicas nas últimas eleições, que provam uma vitória esmagadora de seu candidato Edmundo González Urrutia.
Este diplomata - até então desconhecido - a substituiu como candidata quando Machado foi inabilitada de concorrer a cargos públicos em uma decisão questionada.
González Urrutia reside no exílio na Espanha, enquanto a vencedora do Nobel afirma estar na Venezuela. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, insinuou recentemente que ela se refugia na residência do embaixador dos EUA em Caracas, desocupada desde que ambos os países romperam as relações em 2019.
O prêmio é um "merecidíssimo reconhecimento" à sua "longa luta" pela "liberdade" na Venezuela, celebrou González Urrutia, que compartilha com Machado o Prêmio Sakharov pela liberdade de consciência.
O porta-voz da Comissão de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, disse que a decisão reflete "as claras aspirações do povo da Venezuela por eleições livres e justas".
O Nobel é uma "mensagem poderosa" em favor da democracia, afirmou Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
No ano passado, o prestigioso prêmio foi para o grupo antinuclear japonês Nihon Hidankyo, um movimento promovido por sobreviventes das bombas de Hiroshima e Nagasaki.
O.Schlaepfer--VB