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EUA exime Rússia de novas sanções e Moscou comemora
Moscou saudou neste sábado (17) a decisão do presidente americano, Donald Trump, de bloquear uma lei aprovada pelo Congresso que previa um amplo conjunto de sanções contra o setor energético russo.
Dois dias antes de o texto entrar em vigor, o líder octogenário assinou uma ordem executiva anulando as sanções e tarifas previstas na referida lei, que leva o nome de seu idealizador, o falecido senador republicano Lindsey Graham, um fervoroso defensor da causa ucraniana.
A iniciativa representa mais um revés da administração Trump para o líder ucraniano, Volodimir Zelensky, que considerou, neste sábado, que essa decisão "premia" o presidente russo, Vladimir Putin.
"Nos Estados Unidos, tomou-se a lamentável decisão de descartar completamente a Lei Lindsey Graham, que deveria exercer uma pressão eficaz sobre a Rússia para acabar com esta guerra. Essa lei poderia ter ajudado enormemente, e ainda pode!", escreveu Zelensky nas redes sociais.
A lei aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos autorizava o magnata republicano a impor tarifas de até 100% aos principais compradores de petróleo e gás russos, incluindo Índia e China.
A medida também visava Putin e outras autoridades de alto escalão, assim como o setor de defesa russo e a chamada "frota fantasma" de navios-tanque, que Moscou tem utilizado para contornar as sanções ocidentais impostas devido à sua ofensiva na Ucrânia, em curso desde 2022.
"Conforme descrito na seção 4 desta ordem, deixo sem efeito a aplicação de tais sanções, restrições e tarifas previstas na Lei Graham", diz a ordem assinada por Trump, que invoca "os interesses nacionais dos Estados Unidos".
Moscou não demorou a celebrar a decisão neste sábado, por meio de Kirill Dmitriev, emissário de Putin que, nos últimos meses, participou de conversas diretas com os representantes americanos Steve Witkoff e Jared Kushner para discutir o futuro do conflito na Ucrânia.
"A suspensão da Lei Graham pela administração Trump é um momento importante e verdadeiramente histórico", afirmou Dmitriev em suas redes sociais.
O republicano recuou nas sanções contra Moscou após chegar, ainda neste mês, a um acordo com Putin para que a Rússia abasteça os mercados americano e mundial com diesel, em troca de um alívio nas sanções americanas.
Tudo isso ocorre a poucas semanas das eleições de meio de mandato de 3 de novembro nos Estados Unidos, onde cresceu o descontentamento popular com a alta dos preços dos combustíveis devido à guerra com o Irã. Trump coloca em jogo a maioria republicana no Congresso.
- Zelensky olha cada vez mais para Bruxelas -
Desde que Trump e Putin chegaram a um acordo sobre o diesel, as relações entre Kiev e Washington deterioraram-se rapidamente.
Zelensky criticou o pacto, enquanto as forças ucranianas retomaram os bombardeios contra refinarias russas em represália aos ataques cada vez mais frequentes de Moscou, especialmente contra a capital, Kiev. Essa resposta ucraniana irritou o presidente americano.
Cada vez mais compelido a voltar-se para seus parceiros europeus, Zelensky esteve em Bruxelas na sexta-feira para solicitar aos aliados mais de 70 bilhões de dólares (cerca de R$ 355 bilhões) adicionais para financiar o esforço de guerra em 2027.
"A Ucrânia fez o seu pedido. É muito cedo para estabelecer um valor", ponderou o presidente francês em fim de mandato, Emmanuel Macron, reiterando, no entanto, que os europeus "não abandonarão" Kiev.
Evitando qualquer crítica direta, o mandatário disse em Bruxelas que sua equipe está "em negociações" com os negociadores americanos para uma possível reunião nos próximos dias.
- Críticas -
Políticos republicanos e democratas criticaram neste sábado a decisão de Trump. O senador republicano Thom Tillis publicou no X que o decreto é "mais do que irresponsável". "Se o presidente deseja realmente reduzir os preços da energia, pode fazê-lo resolvendo o problema do Irã, e não fazendo um favor a Vladimir Putin."
Ted Cruz, outro senador republicano, declarou ao canal de TV Fox News que a anulação das sanções aprovadas pelo Congresso americano em setembro foi "um erro". Já o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, disse que "Trump acaba de dar a Putin o melhor presente de aniversário que ele vai receber neste ano".
burs-avl/mmy/aa-lb
W.Huber--VB