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Rabat diz que alertou Madri sobre risco representado por decisão judicial espanhola
O Marrocos havia alertado a Espanha, antes da crise em Ceuta, sobre os riscos migratórios decorrentes de uma recente decisão judicial espanhola, disse à AFP um funcionário de alto escalão do governo marroquino, que rejeitou qualquer sugestão de falha no aparato de segurança do país.
O governo espanhol afirmou que cerca de 50 mil migrantes entraram em Ceuta de forma irregular entre quinta e sexta-feira da semana passada.
O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, apresentou estimativas mais altas. A AFP não conseguiu verificar de forma independente os números de pessoas que chegaram ou tentaram chegar a Ceuta a pé ou nadando, vindas da localidade vizinha de Castillejos (Fnideq em árabe).
Esse fluxo sem precedentes rapidamente sobrecarregou o enclave espanhol e levou ao retorno de milhares de pessoas para o Marrocos.
Segundo o funcionário, que falou à AFP e a outros veículos de imprensa sob condição de anonimato na noite de segunda-feira, as autoridades marroquinas haviam alertado Madri sobre o risco representado por uma recente decisão do Supremo Tribunal espanhol, que estipulava que o retorno imediato dos imigrantes não se aplicaria àqueles que chegassem por mar.
"Explicamos que essa decisão iria criar um problema para nós. E criou um problema", afirmou.
A porta-voz do governo espanhol, Elma Saiz, negou, no entanto, que houvesse qualquer indício do ocorrido.
"Em nenhum momento houve qualquer indício (...) que alertasse para essa magnitude, para esse fato inédito que vivenciamos", disse a jornalistas.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, considerou na sexta-feira que a crise migratória então em curso em Ceuta estava relacionada com um boato lançado "pelas máfias do tráfico de pessoas", com uma interpretação desonesta da referida decisão judicial.
Segundo a autoridade marroquina, os contatos começaram com o lado espanhol por volta de "22 a 23 de julho, quando as redes começaram a falar" sobre esta nova decisão.
Ele afirmou que não houve falha no aparato de segurança marroquino.
"É simplista dizer que o Marrocos deveria simplesmente ter usado a força para detê-los. Isso demonstra uma completa falta de compreensão desse fenômeno", declarou, afirmando que as forças de segurança não seriam capazes de lidar com um número tão grande de pessoas.
"Gerenciar esse fenômeno não é responsabilidade exclusiva do Marrocos", insistiu, acrescentando que o custo da gestão migratória para o reino chega a aproximadamente 500 milhões de euros ao ano (cerca de 2,9 bilhões de reais).
No entanto, ele afirmou que Rabat e Madri atuaram "como parceiros confiáveis" e continuam trabalhando "em perfeita coordenação" nas questões migratórias.
"Hoje, cabe à Espanha encontrar as respostas para os desafios impostos por essa decisão", estimou.
C.Koch--VB