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Primeiro-ministro britânico inicia mandato com medida para reforçar poder de compra
O novo primeiro-ministro trabalhista Andy Burnham reúne seu governo nesta terça-feira (21), após anunciar aos britânicos que reduzirá os impostos sobre a conta de luz para melhorar seu poder de compra.
Burnham, de 56 anos, ideologicamente mais à esquerda que seu antecessor Keir Starmer, anunciou nesta terça a eliminação do imposto sobre valor agregado (IVA) das contas de eletricidade das famílias a partir de outubro, para aliviar o custo de vida de milhões de pessoas.
Esta é a primeira iniciativa do novo gabinete de Burnham, no qual não houve lugar para os leais a Starmer.
"Estamos tomando uma ação imediata para cortar os impostos sobre a eletricidade, colocar mais dinheiro no bolso das pessoas e restaurar a esperança", declarou Burnham em um comunicado, um dia depois de assumir como chefe de governo.
Dá assim um primeiro passo para se reconciliar com eleitores trabalhistas decepcionados com o governo formado por Starmer em julho de 2024, quando seu partido pôs fim a 14 anos de governos conservadores.
- "Limpa" de leais a Starmer -
Os jornais The Times e The Independent falam nesta terça-feira em uma "limpa".
A imprensa britânica destaca como grande surpresa a nomeação de John Healey para o Ministério das Finanças, até então titular da Defesa com Starmer e que deixou o governo por divergências orçamentárias.
Healey, que substitui Rachel Reeves, enfrenta uma tarefa difícil em um contexto de crescimento econômico fraco e de finanças públicas limitadas pelo elevado nível de endividamento.
O novo ministro das Finanças terá de coordenar as medidas de melhoria do poder de compra prometidas por Burnham, que na segunda-feira se comprometeu a oferecer aos britânicos "um pouco de alívio".
A medida de Burnham sobre as contas de eletricidade contrasta com uma decisão tomada por Starmer, que restringiu o chamado cheque de energia, destinado a custear as despesas de calefação dos pensionistas durante o inverno.
Essa decisão deixou milhões de aposentados sem ajuda, gerando polêmica e prejudicando seu mandato, enquanto o partido antimigração Reform UK subia nas pesquisas.
Na segunda-feira, em seu primeiro discurso como primeiro-ministro, Burnham prometeu um "plano de dez anos" para recolocar o país nos trilhos. O país precisa "recuperar sua estabilidade", disse.
Burnham acrescentou que seu plano incluirá uma reforma do sistema educacional, a reindustrialização, a construção de habitações sociais e o compromisso de "erradicar o fenômeno das pessoas em situação de vulnerabilidade".
- Conversa com Trump -
Dentro desse plano, a pasta da Defesa passa às mãos de Wes Streeting, ambicioso ex-ministro da Saúde, que chegou a considerar disputar com Starmer a liderança do Partido Trabalhista.
Streeting terá a missão de pôr em prática o plano de investimento de dez anos destinado a modernizar o Exército.
No plano militar, Burnham anunciou na segunda-feira "100%" de apoio ao presidente ucraniano Volodimir Zelensky em seu conflito com a Rússia, seguindo, nesse sentido, a linha de Starmer.
Burnham expressou também seu "compromisso com a defesa e a segurança" em sua primeira conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Trump, em sua rede Truth Social, disse que Burnham "tem uma grande tarefa pela frente, mas conseguirá realizá-la e, é claro, os Estados Unidos estarão lá para ajudá-lo!".
Entre as mudanças no gabinete, destaca-se a chegada do ex-líder do Partido Trabalhista (2010 e 2015), Ed Miliband, ao Ministério das Relações Exteriores, até então titular de Energia.
Shabana Mahmood, conhecida por sua firmeza em matéria de imigração, continua como ministra do Interior. Outra representante da ala esquerda do partido, Angela Rayner, reassume a pasta da Habitação, que ocupou entre julho de 2024 e setembro de 2025, antes de renunciar.
P.Vogel--VB