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EUA volta a atacar Irã e Trump alerta que Teerã pagará pelas mortes de soldados
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu nesta segunda-feira (20) o Irã de que o país pagaria "muitas vezes mais" por cada soldado americano morto, enquanto um alto dirigente iraniano afirmou que o conflito se intensificou a ponto de se transformar em uma "guerra total".
Washington anunciou uma nova série de ataques contra a República Islâmica. Além dos ataques iranianos contra países do Golfo e do bloqueio do Estreito de Ormuz, os aliados de Teerã no Iêmen, os rebeldes houthis, ameaçaram ampliar ainda mais o conflito ao anunciarem um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita.
Um protocolo de entendimento assinado em 17 de junho, com o objetivo de abrir uma nova rodada de negociações de paz, desmoronou com a retomada das hostilidades entre os dois países, que estão em confronto desde 28 de fevereiro, após os ataques israelenses e americanos contra o Irã.
"A realidade é que hoje a República Islâmica do Irã está mergulhada em uma guerra em grande escala", disse o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, após a nona noite consecutiva de bombardeios americanos.
Esta onda de ataques deixou um morto e vários feridos em Tabriz, no noroeste, a mais de 1.000 km do Golfo, segundo as autoridades locais.
O alcance dos bombardeios se estende para o centro e o leste do Irã, muito além das regiões do sul, onde inicialmente se concentraram os ataques após a retomada das hostilidades, em 7 de julho.
Trump advertiu que o Irã pagará "muitas vezes mais" por cada soldado americano que matar, depois que três militares do país morreram nos últimos dias, dois em ataques contra uma base na Jordânia na sexta-feira, e outro durante a destruição de munições sem explodir procedentes de um drone no norte do Iraque no domingo.
Ao todo, 17 militares americanos morreram desde o início da guerra.
Do lado iraniano, o último balanço oficial, divulgado na sexta-feira, registrou 50 mortos e mais de 500 feridos desde a retomada dos combates, no começo de julho.
Por sua vez, o Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom) informou, por meio da rede social X, que lançou nesta segunda-feira novos ataques "projetados para degradar ainda mais as capacidades militares iranianas utilizadas para atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz".
Os Estados Unidos afirmam que seus ataques têm como alvo objetivos militares, mas o Irã acusa Washington de realizar bombardeios contra localidades civis, em especial em Bushehr, onde está localizada a única usina nuclear em operação no país.
A usina de Darkhovin, ainda em construção, também foi alvo dos ataques, segundo o Irã.
- Ataque contra vizinhos do Golfo -
Em represália, Teerã voltou a atacar nesta segunda-feira seus vizinhos aliados de Washington, ao mesmo tempo em que afirmou continuar suas conversas com os Estados Unidos através de mediadores.
O Kuwait afirmou, durante a tarde, que está enfrentando novos bombardeios do Irã; a Guarda Revolucionária afirmou ter atacado bases americanas no Bahrein, e na capital da Jordânia foram acionadas as sirenes antiaéreas.
Por sua vez, a agência marítima britânica UKMTO informou sobre o ataque a dois navios comerciais, um em frente aos Emirados Árabes Unidos e outro em frente à costa de Omã, próximo ao estreito.
"O aparato diplomático esteve ativo nos últimos dias", declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, durante uma coletiva de imprensa em Teerã.
O ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, tinha previsto viajar nesta segunda-feira ao Paquistão, um dos mediadores junto com o Catar e Omã, informou à AFP uma fonte do ministério.
- "Proteger o transporte marítimo" -
Essa rota estratégica, por onde transitava antes da guerra um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos, está novamente bloqueada pelo Irã desde a retomada das hostilidades com os Estados Unidos, que voltaram a impor um cerco aos portos iranianos.
Esse bloqueio está impulsionando uma alta nos preços do petróleo, e o barril de Brent do Mar do Norte está cotado em torno de 88 dólares.
O anúncio de um bloqueio marítimo houthi contra a Arábia Saudita agrava o panorama.
O Ministério das Relações Exteriores da monarquia do Golfo disse "expressar a mais enérgica condenação (...) às declarações feitas pelo chamado porta-voz militar da milícia terrorista houthi".
Na noite de domingo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, instou a comunidade internacional a se unir a Washington para "proteger o transporte marítimo".
burx-roc/tmt/cr/mas/mmy/erl/jc/aa/mvv/am
L.Maurer--VB