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Novos bombardeios dos Estados Unidos e represálias do Irã
Os Estados Unidos bombardearam o Irã pela sexta noite consecutiva, enquanto Teerã mirou interesses americanos em todo o Oriente Médio na maior escalada desde que os dois inimigos voltaram à guerra aberta.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou nesta sexta-feira (17) que, em represália a esses ataques de Washington, atingiu com drones e mísseis "vários aviões-tanque e caças americanos" estacionados na Jordânia.
O Exército americano afirmou no X ter atacado "dezenas de alvos militares iranianos, como instalações de vigilância costeira e defesa aérea, infraestrutura logística militar e instalações marítimas".
O Irã informou sobre bombardeios americanos contra pontes, um aeroporto e uma estação de trem. A agência oficial Irna apresentou um balanço de oito mortos e 20 feridos em ataques contra essas infraestruturas durante a noite.
Segundo o Irã, os ataques americanos desde 22 de junho deixaram 38 mortos e mais de 400 feridos. "Se os americanos atacarem as infraestruturas da República Islâmica, então todas as infraestruturas da região se tornarão alvos legítimos para o Irã", ameaçou um porta-voz do Exército iraniano, citado pela televisão estatal.
As Forças Armadas do Kuwait e do Catar anunciaram ter sofrido ataques aéreos na madrugada de sexta-feira. As sirenes de alerta foram acionadas em duas ocasiões no Bahrein, e uma criança ficou ferida no Catar, país mediador nas negociações indiretas para acabar com a guerra.
Um porta-voz do Exército iraniano, citado pela televisão estatal, afirmou que a República Islâmica atacou instalações militares americanas no Kuwait com drones explosivos.
- Ataques na Síria e Omã -
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter atacado na Síria um "centro de comando das operações especiais do inimigo" na região de Al Tanf, na fronteira com o Iraque, além de radares americanos em Omã. Os países não confirmaram a informação.
Oito rebeldes curdos iranianos no norte do Iraque também morreram em um ataque atribuído por seu grupo ao Irã.
O presidente americano, Donald Trump, ameaçou durante a semana atacar pontes e usinas elétricas do país caso os iranianos não voltassem à mesa de negociações.
As hostilidades foram retomadas em 7 de julho, após ataques contra navios no Golfo atribuídos ao Irã.
Os bombardeios realizados desde então não têm precedentes desde o cessar‑fogo de abril e minam os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra.
A guerra no Oriente Médio, desencadeada em 28 de fevereiro por bombardeios israelenses‑americanos contra o Irã, provocou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, onde Israel enfrenta o movimento pró‑iraniano Hezbollah.
- Apelo ao diálogo -
O Paquistão, país mediador entre os beligerantes, e a China apelaram nesta sexta-feira ao Irã e aos Estados Unidos a retomarem as negociações no âmbito de um protocolo de acordo firmado em meados de junho, que acabou se tornando letra morta.
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que um acordo "só faz sentido quando suas cláusulas são válidas e aplicadas".
Islamabad também pediu um "retorno à normalidade no Estreito de Ormuz", uma rota fundamental para o trânsito mundial de hidrocarbonetos, mais uma vez bloqueada pelo Irã no fim de semana passado.
Em resposta, os Estados Unidos restabeleceram o bloqueio aos portos iranianos. Donald Trump "continua aberto à diplomacia", declarou na quinta-feira a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Segundo ela, os iranianos "deixaram claro ao presidente que ainda querem chegar a um acordo. Estamos conversando com eles, mas, mais uma vez, o presidente não vai permitir que atirem em navios no estreito sem consequências".
Em Ormuz, por onde antes da guerra transitava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) mundial, o tráfego diminuiu.
A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou nesta sexta-feira que um navio foi atingido por um "projétil não identificado" em frente à costa de Omã. Não houve vítimas.
Os preços do petróleo se mantêm relativamente estáveis apesar da situação, com o barril de Brent girando em torno de 85 dólares (433 reais) nas primeiras operações asiáticas desta sexta-feira.
burx-roc/ms/arm-erl/pb/jc/aa
B.Baumann--VB