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Keiko Fujimori propõe 'reconciliação' após década de instabilidade política
A direitista Keiko Fujimori defendeu nesta quarta-feira (15) uma "reconciliação" entre as forças políticas do Peru, com o objetivo de deixar para trás uma década de instabilidade, durante a cerimônia em que recebeu suas credenciais como presidente eleita.
A administradora de empresas, de 51 anos, teve uma vitória apertada no segundo turno sobre o candidato de esquerda, Roberto Sánchez. Ela assumirá o poder no próximo dia 28.
O Peru teve oito presidentes diferentes desde 2016. Vários deles foram destituídos pelo Congresso, onde o fujimorismo representa uma força política importante, ou renunciaram antes de enfrentar o mesmo destino.
"Pensar de forma diferente não nos torna inimigos. A reconciliação nacional não significa esquecer nossas diferenças; significa aprender a construir sobre aquilo que nos une", afirmou a política em seu discurso após receber as credenciais do cargo no Teatro Nacional de Lima.
"Nenhum governo pode fazer o Peru avançar se continuar alimentando a divisão", acrescentou Fujimori, convocando as forças políticas, as instituições do Estado, as entidades representativas de diferentes setores e a comunidade acadêmica a trabalharem juntas.
Sua vitória marca o retorno do fujimorismo ao poder, um quarto de século após a queda de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori (1990–2000), cujo legado continua dividindo profundamente os peruanos.
Durante a tarde, Roberto Sánchez descartou uma reconciliação. Ele responsabiliza a bancada parlamentar fujimorista e outras por blindar a ex-presidente Dina Boluarte (2022-2025) contra acusações por dezenas de mortes de manifestantes em protestos.
"Como vamos beijar sua mão? A primeira coisa que a Sra. Fujimori deveria fazer é se ajoelhar e pedir perdão", disse Sánchez diante de apoiadores, em seu comitê político em Lima.
Segundo o cientista político Eduardo Dargent, os primeiros desafios da líder do partido Força Popular serão "assegurar a governabilidade", já que ela não possui maioria no Congresso, e "cumprir as promessas de campanha de 'restabelecer a ordem' na área da segurança pública".
O país enfrenta uma crise de segurança grave, com um pico de assassinatos por encomenda e extorsão. Keiko Fujimori prometeu governar com mão firme.
"Não acreditamos em Keiko, porque ela sempre mente. Não reconhecemos o seu governo", disse à AFP Silvia Quintana, 55, apoiadora de Sánchez. Já o técnico de TV Fernando Cumana demonstrou confiança na presidente eleita: "Vamos seguir em frente."
M.Vogt--VB