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Guerra entre Irã e EUA se intensifica
A guerra entre Estados Unidos e Irã se intensificou nesta quarta-feira (15) com o bloqueio americano aos portos iranianos e o fechamento do Estreito de Ormuz, o que encerra o protocolo de acordo que deveria reduzir a escalada do conflito iniciado em fevereiro.
Quase um mês depois de Estados Unidos e Irã assinarem um memorando de entendimento para pôr fim à guerra no Oriente Médio, ambos os lados retomaram os combates, com repercussões em toda a região.
O presidente americano, Donald Trump, ameaçou expandir os ataques na próxima semana, visando usinas de energia e pontes, a menos que Teerã retorne à mesa de negociações.
"Na próxima semana, a situação fica muito ruim para eles, porque será a vez das usinas de energia. Na próxima semana, será a vez das pontes", disse Trump à Fox News.
A disputa pelo Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o trânsito global de petróleo e gás, foi o principal fator para a retomada dos combates e do bloqueio naval, em vigor desde as 20h00 GMT de terça-feira (17h00 no horário de Brasília).
A retomada dos combates em 7 de julho, após ataques a navios no Golfo atribuídos ao Irã, mina os esforços diplomáticos para manter o acordo protocolar assinado em junho, que ratificou o cessar-fogo concluído em abril.
Os ataques são sem precedentes desde a trégua de abril, mas até agora não afetaram a capital Teerã nem as instalações de petróleo e gás no Golfo.
Israel, que iniciou a guerra ao lado dos Estados Unidos em 28 de fevereiro, não se juntou aos novos confrontos.
"Todos os dias, acordo me perguntando se a situação vai se acalmar ou piorar", disse à AFP Mustafa Mohamed, um contador sudanês de 39 anos que vive no Kuwait, um dos alvos do Irã.
- "Onda de ataques" -
A cidade portuária de Bushehr, que abriga a única instalação nuclear do Irã, foi novamente atacada pelos Estados Unidos nesta quarta-feira, segundo a agência de notícias estatal Irna.
No sudeste do país, sete soldados morreram quando mísseis americanos atingiram um quartel perto da cidade de Iranshahr, informou o Exército iraniano.
O Exército dos EUA confirmou uma nova "onda de ataques" nesta quarta-feira, "com o objetivo de enfraquecer ainda mais as capacidades militares que as forças iranianas têm usado para atacar navios mercantes no Estreito de Ormuz".
Mais de 30 civis morreram desde a retomada dos combates, segundo o governo iraniano.
Em resposta, Teerã voltou a atacar instalações americanas em vários países do Golfo e na Jordânia.
Bahrein, Kuwait e Jordânia foram alvos de ataques iranianos durante a madrugada e a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do regime, reivindicou ataques às instalações da Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein e ao centro logístico de Mina Abdullah, usado pelo Exército americano.
O tráfego no Estreito de Ormuz foi reduzido.
- "Graves consequências" -
Além do impacto no comércio global de hidrocarbonetos, a ONU expressou alarme na terça-feira sobre as "graves consequências socioeconômicas e humanitárias" do bloqueio desta "rota de trânsito essencial da qual milhões de pessoas dependem" para alimentos, medicamentos e outras necessidades básicas.
A Guarda Revolucionária declarou que o estreito "permanecerá fechado até que os Estados Unidos cessem seus atos de agressão" e mencionou o possível fechamento de "outras rotas de exportação de petróleo e gás" que beneficiam os Estados Unidos e seus aliados, sem especificar quais seriam.
Com a reimposição do bloqueio, Trump quer pressionar o governo iraniano em relação às suas divergências sobre o Estreito de Ormuz.
Teerã afirma há meses que deseja cobrar um pedágio pela passagem por essa hidrovia.
Esta semana, Trump surpreendeu a todos ao declarar que cobraria uma taxa em troca da proteção de Ormuz. Mais tarde, ele recuou. Segundo afirmou, a questão estaria mais relacionada a "acordos comerciais e investimentos" com as monarquias do Golfo.
burx-am/tmt/mas-erl/avl/aa/fp
L.Stucki--VB