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Irã responde ataques americanos com bombardeios no Golfo e anuncia fechamento de Ormuz
O Irã lançou mísseis e drones neste domingo (12) contra seus vizinhos do Golfo e anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz após ataques dos Estados Unidos em resposta a disparos iranianos contra um navio, um novo agravamento do cenário que deixa a trégua ainda mais distante.
As hostilidades evidenciam as dificuldades para avançar nas negociações que pretendem acabar com o conflito de forma definitiva e ressaltam ainda que a questão do Estreito de Ormuz é um dos pontos críticos antes de um acordo.
O presidente americano, Donald Trump, declarou durante a semana que o cessar-fogo "acabou" devido aos ataques iranianos contra navios na rota estratégica.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou que lançou 140 ataques contra o Irã e, horas depois, Trump afirmou que seu país atingiu o Irã "com muita força".
Em resposta aos ataques, a Guarda Revolucionária anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e o Irã lançou uma série de bombardeios contra países do Golfo aliados dos Estados Unidos.
"O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até novo aviso e até o fim das intervenções americanas nesta região", afirmou a Guarda Revolucionária.
A imprensa iraniana relatou explosões no sul do país, em Bandar Abbas, Sirik e na ilha de Qeshm, assim como na província de Khuzestan, na fronteira com o Iraque. Também informou a morte de um soldado na cidade de Jask, no sul do país.
O controle do estreito virou um elemento crucial para o Irã. Mohsen Rezai, conselheiro militar do líder supremo iraniano, declarou neste domingo que "esta passagem estratégica é mais importante do que dezenas de bombas atômicas", em uma referência ao programa nuclear do país.
Algumas horas depois do anúncio iraniano, o Exército americano desmentiu a Guarda Revolucionária e afirmou que o tráfego "continua fluindo" pelo Estreito de Ormuz e que "o Irã não controla" a passagem.
O chefe da diplomacia do Paquistão e mediador no conflito, Ishaq Dar, pediu às partes uma "desescalada" e que demonstrem "moderação".
Estados Unidos e Irã assinaram em 17 de junho um protocolo de acordo em que estabeleceram 60 dias de trégua para negociar o fim da guerra, iniciada em 28 de fevereiro por um ataque de Israel e dos Estados Unidos contra o território iraniano.
Quase um mês depois, os Estados Unidos bombardearam o Irã na noite de terça-feira e novamente na quarta, depois que responsabilizaram Teerã por ataques contra navios comerciais na região. Em retaliação, o Irã atacou vários alvos no Golfo.
- "Rota não autorizada" -
Após os ataques mais recentes dos Estados Unidos contra o Irã, Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos relataram ataques aéreos contra seus territórios. Além disso, explosões foram ouvidas no Catar.
As autoridades de Doha confirmaram que interceptaram mísseis, enquanto Teerã anunciou que atacou uma base aérea americana no emirado "em resposta aos ataques contínuos" dos Estados Unidos.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, reivindicou um raro ataque contra Omã, ao anunciar que destruiu bases de apoio logístico aos porta-aviões americanos no porto de Duqm, segundo a agência Irib.
A Jordânia também informou ter sido alvo neste domingo de três mísseis iranianos que não provocaram danos.
Ao anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz, a Guarda Revolucionária afirmou que efetuou disparos de advertência contra um navio que "havia tentado seguir uma rota não autorizada".
Teerã autorizou apenas um corredor de navegação por esta passagem marítima, perto de suas costas, e descarta a possibilidade de retornar à situação anterior à guerra, quando havia livre trânsito na região.
Segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, o ataque aconteceu 17 quilômetros ao leste da península de Musandam, em Omã, e provocou um incêndio a bordo, o que levou a tripulação a abandonar a embarcação em um bote salva-vidas.
O Ministério das Relações Exteriores da Índia informou que 11 cidadãos do país estavam na embarcação - 10 foram resgatados e um está desaparecido.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que "o Irã tomou uma decisão ruim" e "vai pagar" o preço.
I.Stoeckli--VB