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Milhares de sul-africanos pedem expulsão de imigrantes sem documentos
Milhares de sul-africanos se manifestaram nesta terça-feira (30) para exigir a expulsão de imigrantes sem documentos, um movimento marcado pela morte de um estrangeiro que pulou de um prédio por medo de ser perseguido, segundo a polícia.
Os protestos aconteceram em várias partes do país e foram liderados por grupos de cidadãos que, sem base legal, estabeleceram o dia de hoje como fim de um prazo para que os estrangeiros sem documentos deixassem o país.
Incidentes isolados ocorreram perto de Joanesburgo, onde as forças de segurança escoltaram alguns estrangeiros para longe de uma multidão. Várias pessoas foram presas por saques, e soldados foram mobilizados na cidade, centro econômico do país, informaram autoridades.
Milhares de pessoas marcharam ao meio-dia pelo centro, assim como em Durban. "Parem de esconder estrangeiros ilegais! Parem de empregá-los e de alugar moradias para eles!" dizia um dos lemas da manifestação nesta última.
"É difícil alugar uma casa, porque os preços estão muito altos e os estrangeiros em situação irregular conseguem pagá-los, porque vendem drogas para a nossa população", reclamou Brightness Gumbi, 48, dona de uma cantina em Durban.
- Medo -
Dois moçambicanos, um etíope e um malawiano foram assassinados nas últimas semanas de protestos, segundo a polícia. Um estrangeiro foi encontrado morto hoje, suspeito de ter saltado do oitavo andar de um prédio em Durban, aparentemente por medo de ser perseguido.
Enquanto os protestos aconteciam em várias cidades, centenas de imigrantes se concentravam em Cidade do Cabo, Joanesburgo e outros centros urbanos à espera de ajuda para retornar aos seus países. Alguns deles diziam que haviam sido despejados ou demitidos por medo de multas ou ataques de grupos de vigilantes.
"Os sul-africanos não nos querem aqui. Estou com medo", disse uma zimbabuana de 23 anos, na Cidade do Cabo, onde mais de 1.500 pessoas aguardavam repatriação.
Apenas algumas dezenas de malawianos permaneciam na área de Durban de onde milhares foram levados de ônibus nos últimos dias. "Achei que poderia ficar, mas os vizinhos nos alertaram ontem à noite", contou à AFP Adam John, 32. "Achei melhor tentar voltar para casa enquanto ainda posso."
A África do Sul sofreu surtos de violência relacionados à xenofobia em 2008 e 2015. Nas últimas semanas, mais de 25.000 pessoas de Malawi, Zimbábue, Moçambique, Nigéria e Gana deixaram o país.
- Três milhões de estrangeiros -
Segundo estatísticas oficiais, cerca de 3 milhões de estrangeiros (5,1% da população) vivem no país, atraídos por oportunidades de emprego na maior economia do continente.
Em Joanesburgo, Cidade do Cabo e Pietermaritzburgo, centenas de estrangeiros continuavam hoje em acampamentos improvisados ou em frente aos seus consulados, à espera de deixar o país, abandonando seus pertences e, em alguns casos, seus parceiros sul-africanos.
Gana e Nigéria organizaram voos de repatriação para centenas de cidadãos e criticaram a gestão da crise na África do Sul, um país que, desde o fim do apartheid, foi uma referência moral no continente.
Cerca de 4.300 estrangeiros foram repatriados e mais de 400 foram deportados nos últimos dias, informou na noite de hoje a ministra sul-africana da Justiça, Mmamoloko Kubayi.
S.Gantenbein--VB