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Cidades e minas fantasmas na Venezuela após operação militar contra máfias
Uma escola vazia com cadernos ainda abertos sobre as mesas, um bar deserto com sua mesa de bilhar e minas artesanais a céu aberto sem atividade. Uma grande operação militar no sul da Venezuela contra grupos criminosos deixa cidades e minas fantasmas, à medida que todos fogem.
A Venezuela, com as maiores reservas de petróleo do mundo, dispõe também de ouro, diamantes, bauxita, coltan e terras raras, especialmente em um território batizado como o Arco Mineiro, controlado em grande parte por grupos armados ou guerrilhas.
Na segunda-feira (8), o exército foi mobilizado ao redor de Las Claritas, em uma área de exploração de ouro no estado de Bolívar (sudeste), controlada por dois chefes de gangues conhecidos, Juancho e Johan Petrica. Este último é membro fundador da temida gangue venezuelana Tren de Aragua, segundo fontes locais.
Jornalistas da AFP viram, na quinta-feira (11), uma dezena de veículos militares e agentes armados com metralhadoras e armas automáticas no local. Também havia veículos do Sebin (serviço de inteligência).
A operação ocorre cinco meses após a captura de Nicolás Maduro e poucas semanas após a aprovação, sob pressão dos Estados Unidos, de uma nova lei de mineração destinada a atrair investidores privados e, sobretudo, estrangeiros.
"Avisei para as pessoas que estávamos sendo atacados; houve uma explosão e, depois de pouco tempo, uns dois segundos depois, houve mais duas", relata José Guzmán, garimpeiro artesanal de 68 anos.
Segundo uma dezena de depoimentos recolhidos pela AFP, o exército lançou três bombas a partir de helicópteros. Dois helicópteros sobrevoavam a baixa altitude, na quinta-feira.
ONGs venezuelanas denunciam confrontos. As autoridades, em particular a presidente interina Delcy Rodríguez, no cargo desde a captura de Maduro em janeiro, mantêm silêncio sobre a operação.
- "Espero que eles não voltem" -
Muitos trabalhadores comemoram a ação militar.
"Você não imagina os maus-tratos contra a população. Era um regime de terror. Você tinha que pagar e pagar, repetidamente. Quem não pagava, era 'rua' ou pior", diz um garimpeiro sob condição de anonimato.
"Havia bandidos armados por todas as partes. Espero que o exército faça operações em terra e 'pá-pum!', acrescenta.
Um mototaxista que transporta material para um garimpeiro afirma que teve que pagar 200 dólares (cerca de mil reais) aos mafiosos pelo seu uniforme de trabalho.
"Tínhamos que pagar uma grama de ouro (120 dólares) por semana. Quando você paga tanto, nunca descansa. Espero que eles não voltem para que possamos vivem com dignidade. É tudo o que pedimos", confidencia.
Em Brisas de Cuyuní, uma área com quilômetros e quilômetros de minas, não se respira riqueza. Em uma zona afetada pelo desmatamento, a pista de terra serpenteia entre os acampamentos. Há casas de madeira cobertas com plásticos e também balsas onde os garimpeiros retiram o barro com longas mangueiras.
O barro se mistura com detergente em pó e depois desce por alguns escorregadores cobertos com tapetes que absorvem o mineral e que serão "lavados" com água e mercúrio para extrair o ouro.
Os escorregadores, às vezes enormes, dão a impressão de que a construção de dezenas de pontes sobre os lagos começou.
Com a intervenção do exército, "isso está praticamente abandonado", afirma Antonio Figuera, de 47 anos, minerador artesanal, enquanto varre um antigo café. É "praticamente uma cidade fantasma".
O local estava cheio de pequenos comércios. Depois da operação militar, "levaram tudo, todos os bens de valor".
Agora é um vai e vem de motos que transportam às vezes três adultos e uma criança, ou carregadas de volumes.
Um homem em uma moto puxa um telhado de zinco colocado sobre um pneu velho para não danificá-lo. Outros arrastam longos tubos que se movem pela estrada.
Francisco, sua esposa e sua filha trabalham para tentar recuperar um pouco de ouro. "Não tenho nem um dólar. Nada de poupança. Tenho que pagar um transporte para a família e nossas coisas. Espero que tenhamos sorte", consola-se diante de um monte de barro.
"Se formos para a cidade, a fome vai nos matar", diz, por sua vez, Rafael, minerador artesanal de 53 anos.
Prevê-se que o governo conceda novas licenças a multinacionais. Três grandes empresas operavam ali nos anos 2000, antes do presidente Hugo Chávez suprimir as concessões.
T.Zimmermann--VB