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Manifestantes enfrentam a polícia em protesto contra o governo na Bolívia
A polícia entrou em ação nesta quarta-feira (10), em La Paz, para conter manifestantes que exigem a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, que considera decretar estado de exceção para enfrentar a onda de protestos, que começou há cinco semanas.
Os manifestantes, em sua maioria trabalhadores, camponeses, mineradores, transportadores e professores, viraram contêineres de lixo e atearam fogo em pilhas de entulho para construir barricadas perto da praça de armas de La Paz, onde fica o Palácio do Governo.
O movimento foi dispersado pela polícia com gás lacrimogêneo, enquanto manifestantes atiravam pedras e cartuchos de dinamite de baixa potência. Cinco civis foram presos durante os confrontos.
Vestidos com ponchos e alguns usando capacete, os grevistas chegaram durante a manhã, após uma marcha de 15 km desde a cidade vizinha de El Alto. "O que queremos? Renúncia!", gritavam.
- Lei -
Paz, que está há sete meses no poder, denunciou na última segunda-feira que os protestos que pedem a sua saída são promovidos por "narcoterroristas", e promulgou uma lei que lhe permite declarar estado de exceção.
Com essa medida, seriam restringidas as liberdades de reunião e circulação, fundamentais para a realização de protestos, e as Forças Armadas poderiam apoiar a polícia na remoção de dezenas de bloqueios de estradas que sufocam as principais cidades do país.
Em La Paz e na vizinha El Alto, agrava-se a escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos. Os preços de carnes e hortaliças dobraram nos mercados, e alguns motoristas dormem dentro de seus veículos nas filas dos postos de combustíveis.
Segundo o governo, os prejuízos econômicos causados pelos bloqueios ultrapassam US$ 1,2 bilhão (R$ 6,2 bilhões). Os principais sindicatos envolvidos nos protestos rejeitaram os apelos ao diálogo feitos pelo governo.
A gestão de Paz, aliado dos Estados Unidos, denuncia uma suposta tentativa de "alterar a ordem democrática" e acusa o ex-presidente Evo Morales de orquestrá-la.
"Se é machinho, que venha falar sobre temas sociais. Vamos mostrar a ele como se governa", disse Morales hoje, durante um discurso para apoiadores na região produtora de coca do Trópico de Cochabamba, onde ele é protegido por uma guarda camponesa.
R.Flueckiger--VB