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Candidatos encerram campanha presidencial no Peru para um 2º turno acirrado
A direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez encerraram suas campanhas na quinta-feira (4) diante de milhares de apoiadores, às vésperas do acirrado segundo turno presidencial de domingo, uma eleição que ocorre em um Peru assolado pela criminalidade e pela instabilidade política.
Entre gritos de "Keiko para presidente", Fujimori, que é filha do ex-presidente autocrático Alberto Fujimori (1990–2000), pediu o voto dos peruanos para "evitar o caos e o retrocesso".
"Queremos um governo que nos traga paz, que restaure a ordem! Queremos um governo de confiança... Não vou decepcioná-los", disse Fujimori, administradora de empresas de 51 anos que disputa a presidência pela quarta vez consecutiva.
No comício, Mérida Delgado, de 65 anos, disse à AFP que temia que uma vitória da esquerda levasse o Peru pelo mesmo caminho da Venezuela ou de Cuba: "Não podemos deixá-los vencer com o comunismo e o terrorismo".
Entre fogos de artifício e música andina, Sánchez, deputado e ex-ministro de 57 anos, prometeu "democracia". "Será o fim do caos, o fim da 'Sra. K', o fim dos assassinatos, da corrupção e da impunidade", declarou.
"Abaixo a 'mulher da máfia', abaixo o fujimorismo!", gritava Sánchez que, assim como fez durante toda a campanha, usava o chapéu de camponês que recebera de presente do ex-presidente Pedro Castillo, atualmente preso por uma tentativa fracassada de autogolpe de Estado.
"Todos esses anos foram caóticos. Esta será a quarta derrota de Keiko. Vivi a era de seu pai, que foi marcada pela corrupção total", disse à AFP Cristina Sotomayor, administradora de 63 anos e apoiadora presente no comício de Sánchez.
A poucos dias da votação, a pesquisa mais recente, realizada há cinco dias, mostra os dois candidatos em empate técnico, com um quinto do eleitorado indeciso e cansado da turbulência política que viu oito presidentes em uma única década.
O primeiro turno, que contou com cerca de trinta candidatos e foi marcado por falhas técnicas e denúncias de fraude, refletiu a frustração generalizada com a classe política do Peru. Juntos, Fujimori e Sánchez não conseguiram sequer 30% dos votos.
- A questão da criminalidade -
Sánchez se apresenta como a voz dos eleitores pobres e das áreas rurais, promete uma "mudança radical" e acusa as elites e o Parlamento de serem responsáveis pela instabilidade.
Keiko promete uma postura firme contra a insegurança em um país que registrou um aumento de 20% nos casos de extorsão notificados em 2025, em comparação com o ano anterior.
"O dia a dia no Peru pode ser aterrorizante: há muita criminalidade e muitos assassinatos. Extorsões, homicídios, cobranças de 'taxas de proteção'...", disse Raúl Porras, um agricultor de 52 anos, durante o comício.
Lima registrou 23 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, três vezes a taxa de cinco anos antes, segundo dados oficiais.
No encerramento de sua campanha, Sánchez atribuiu a criminalidade desenfreada à corrupção. "É por isso que vamos propor a 'morte civil' para os corruptos", declarou ele, referindo-se a um plano para impedi-los permanentemente de exercer cargos públicos.
Apesar da instabilidade, a economia peruana é estável. O próximo presidente terá de lidar com um Congresso dividido e uma profunda desconfiança da população em relação ao governo.
Cerca de 27 milhões de peruanos estão convocados a votar no segundo turno das eleições em um país onde o voto é obrigatório.
F.Mueller--VB