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Oriente Médio: negociações vão 'muito bem' segundo EUA, 'nenhum progresso' segundo Irã
O Irã afirmou, nesta quarta-feira (3), que não houve “nenhum progresso tangível” nas negociações com os Estados Unidos para acabar com a guerra no Oriente Médio, onde os ataques foram retomados na região do Golfo.
“Foram trocadas mensagens sobre a necessidade de pôr fim à agressão contra Beirute, mas não foi alcançado nenhum progresso tangível no processo de negociação”, declarou o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, em referência aos bombardeios israelenses contra o movimento islamista pró-Irã Hezbollah, no Líbano.
“Qualquer ataque contra Beirute terá graves consequências e levará à retomada em grande escala da guerra”, advertiu em uma entrevista à televisão libanesa citada pela agência de notícias Tasnim.
Horas mais tarde, porém, Israel e Líbano concordaram em “implementar um cessar-fogo” e criar “zonas-piloto” que ficarão sob o controle do Exército libanês, segundo uma declaração conjunta publicada após dois dias de conversas em Washington.
O presidente americano, Donald Trump, expressou sua intenção de “separar” as discussões sobre o Líbano daquelas relacionadas ao Irã, enquanto Teerã considera que se trata de uma única questão.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, assegurou diante de uma comissão parlamentar que a questão do urânio enriquecido havia sido “claramente abordada”, embora tenha admitido que Teerã não deu sinal verde.
O destino do urânio enriquecido constitui um dos pontos de atrito que dificultam um acordo. Os Estados Unidos e Israel acusam o Irã de buscar obter armas nucleares, algo que Teerã nega.
- Um morto no Kuwait -
Mais cedo, nesta quarta, o Kuwait acusou Teerã de bombardear seu aeroporto, o primeiro ataque letal desde a entrada em vigor, em 8 de abril, de um cessar-fogo cada vez mais fragilizado pelos confrontos entre Irã e Estados Unidos no Golfo.
O ataque com drones deixou um morto e 63 feridos, segundo as autoridades. A Guarda Revolucionária, o exército ideológico da república islâmica, negou ter atacado o aeroporto.
As hostilidades foram retomadas nos últimos dias, especialmente em torno do Estreito de Ormuz, via marítima estratégica para o transporte mundial de hidrocarbonetos que Teerã mantém sob seu controle.
O Kuwait afirmou ter sido alvo nesta quarta, ao todo, de 13 mísseis balísticos e 17 drones iranianos. Esses novos ataques fizeram o preço do petróleo voltar a subir, chegando a quase 100 dólares.
Segundo o comando americano para a região (Centcom), o Irã também lançou durante a noite mísseis em direção ao Bahrein, o que provocou como resposta bombardeios americanos sobre a ilha iraniana de Qeshm, de acordo com Teerã.
A Guarda Revolucionária indicou ter atacado uma base aérea no Kuwait e a sede da Quinta Frota naval americana no Bahrein, em represália aos ataques contra Qeshm e um petroleiro iraniano. Também disse ter atingido um navio ligado a Israel e aos Estados Unidos.
A diplomacia iraniana acusou o Kuwait e o Bahrein de permitirem que Washington utilizasse seus territórios para “ações agressivas contra o Irã”, o que o Kuwait desmentiu, e anunciou a expulsão de dois membros da embaixada iraniana.
- Norte de Israel sob fogo -
Está prevista para esta quinta-feira uma declaração escrita do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, no aniversário da morte do fundador da república islâmica, Ruhollah Khomeini. Esta comemoração coincide neste ano com uma das principais festividades xiitas, celebrada em massa nas ruas.
Enquanto delegações israelenses e libanesas conversavam nesta quarta em Washington, ataques israelenses no Líbano causaram ao menos nove mortes, entre elas as de um soldado e dois socorristas.
O Líbano foi arrastado para a guerra quando o Hezbollah abriu uma frente contra Israel em 2 de março, em represália à morte do líder iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
Desde então, mais de 3.465 pessoas morreram no Líbano em consequência da ofensiva israelense. Um cessar-fogo foi anunciado em 17 de abril, mas foi violado por ambos os lados.
Enquanto o Hezbollah se opõe às conversas entre Líbano e Israel, o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, assegura que elas continuam sendo “a opção menos onerosa” para seu país.
K.Hofmann--VB