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Drones ucranianos atingem São Petersburgo durante fórum econômico
Drones ucranianos atingiram instalações energéticas e militares em São Petersburgo nesta quarta-feira (3), dia da abertura de um importante fórum econômico que reúne numerosos dirigentes russos e estrangeiros na segunda maior cidade da Rússia.
Após mais de quatro anos de ofensiva russa na Ucrânia, as negociações para encerrar o conflito mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial permanecem estagnadas, e ambos os lados continuam se atacando regularmente.
Em Washington, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a Ucrânia "se tornou mais eficiente na realização de ataques de longo alcance dentro da Rússia" e manifestou preocupação com uma possível "escalada".
"Nenhuma das partes demonstrou disposição para fazer as concessões necessárias para restabelecer a paz, particularmente do lado russo", declarou Rubio, reiterando que Washington está "pronto" para colaborar para o fim do conflito.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, classificou os ataques como "justos", um dia após a morte de 23 pessoas na Ucrânia em uma onda de mísseis e drones russos.
Cerca de 20 mil pessoas de 130 países devem participar do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, encontro de três dias iniciado nesta quarta-feira.
O presidente russo, Vladimir Putin, fará o discurso principal do fórum na sexta-feira, e o Kremlin prometeu "respostas sistemáticas" ao ataque contra a cidade.
O ataque ucraniano danificou "várias" infraestruturas sem causar vítimas, declarou o governador de São Petersburgo, Aleksandr Beglov.
Por outro lado, sete pessoas morreram no leste da Ucrânia ocupada em um ataque de drone ucraniano contra um ônibus que fazia o trajeto entre Moscou e a Crimeia, segundo autoridades instaladas pela Rússia.
Também morreram um operário em um ataque ucraniano na região de Briansk, na fronteira com a Ucrânia, e outro civil na parte ocupada da região de Kharkiv, no nordeste ucraniano, segundo autoridades locais.
Do lado ucraniano, bombardeios russos causaram pelo menos uma dezena de mortes em várias regiões, de acordo com as autoridades locais.
- Terminal petrolífero e base militar -
A Ucrânia afirmou ter atingido o Terminal Petrolífero de São Petersburgo e a base militar próxima de Kronstadt.
Durante uma coletiva de imprensa em Kiev, Zelensky afirmou que a Ucrânia respondia ao ataque maciço russo do dia anterior.
"Eles devem saber que, se utilizarem drones e mísseis contra nós, faremos o mesmo", enfatizou.
Ao seu lado, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em visita a Kiev, destacou que "enquanto a Ucrânia continua resistindo, inovando e conquistando vitórias no campo de batalha, a Rússia está cada vez mais desesperada".
De Bruxelas, a chefe da diplomacia da União Europeia concordou.
"Isso demonstra claramente o pânico do lado russo e explica por que eles intensificam os ataques terroristas: não sabem como agir diante dessas situações", afirmou Kaja Kallas em entrevista à AFP.
Os ataques afetaram o funcionamento do principal aeroporto de São Petersburgo, antiga capital imperial russa.
Um jornalista da AFP observou fumaça à distância a partir do local do fórum, enquanto os delegados chegavam às primeiras sessões.
Valéria, uma empresária de 32 anos que viajou de Moscou para participar do evento, declarou à AFP que não teme a possibilidade de novos ataques ucranianos.
"Há anos convivemos com esse tipo de ataque", explicou.
- O "Davos" russo -
Em edições anteriores à guerra, o evento contou com a presença de líderes da Alemanha, França e Japão.
Neste ano, a lista de participantes inclui dirigentes de países aliados da Rússia, como os presidentes do Uzbequistão e da Tanzânia, além de ministros de países como Cuba, Belarus, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, que na terça-feira condenou a onda de ataques russos mortais contra a Ucrânia, participará de um painel sobre meio ambiente previsto para sexta-feira.
Os Estados Unidos serão representados por Rodney Mims Cook Jr., presidente da Comissão de Belas-Artes que supervisiona o novo salão de baile da Casa Branca de Donald Trump. Também foram convidados a comentarista ultraconservadora Candace Owens, o ator americano Steven Seagal e representantes da Alternative für Deutschland (AfD), partido alemão de extrema direita.
H.Gerber--VB