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Guerra no Oriente Médio afeta gravemente cadeias de fornecimento de ajuda, adverte ONU
As cadeias globais de fornecimento de ajuda humanitária interrompidas pela guerra no Oriente Médio não conseguirão se recuperar antes de 2027, mesmo se a guerra na região fosse interrompida imediatamente, alertou a ONU nesta terça-feira (2).
Quase 100 dias após os ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, que desencadearam o conflito, as consequências se estendem muito além da região do Oriente Médio, afirmou Jean-Cedric Meeus, chefe de transporte e logística do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
"A interrupção da cadeia de abastecimento humanitário mundial afeta crianças em todo o planeta, com uma congestão persistente nas rotas da cadeia de abastecimento mundial e custos mais elevados", afirmou em uma coletiva de imprensa em Genebra.
Semanas de conversas indiretas entre os Estados Unidos e o Irã, ameaças e ataques aéreos não conseguiram pôr fim à guerra nem reabrir o Estreito de Ormuz, a estratégica rota marítima para o transporte de petróleo e gás do Golfo.
"O que começa como uma interrupção nas rotas para o Oriente Médio, o Estreito de Ormuz, torna-se diretamente uma crise humanitária", afirmou Meeus, falando de Mogadíscio, na Somália.
Para a Unicef, os atrasos persistentes e os altos custos operacionais, quando ocorrem em um contexto de crise global de financiamento, já estão provocando decisões impossíveis.
"Por trás desta cascata de alterações há uma equação simples, porém brutal", afirmou, já que cada dólar adicional gasto em transporte significa menos dinheiro destinado à ajuda para as crianças.
O responsável de logística disse que a capacidade de carga aérea foi reduzida em todo o Oriente Médio, que algumas companhias aéreas deixaram de operar em certos destinos africanos e que a congestão portuária está se espalhando pela África.
"Há inúmeros efeitos em cadeia na cadeia de fornecimentos humanitários", disse Meeus.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira (1º) que as conversas com o Irã avançavam em "ritmo acelerado", mesmo enquanto Teerã ameaçava manter o Estreito de Ormuz bloqueado.
No entanto, "se chegarmos a um acordo e o Estreito de Ormuz for reaberto, a situação não irá melhorar antes do fim do ano" para as cadeias de fornecimentos da Unicef, afirmou Meeus.
A.Ammann--VB