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Peru elege presidente entre direitista Fujimori e esquerdista radical
Os peruanos elegerão, no domingo (7), seu presidente entre a direitista Keiko Fujimori, herdeira de uma dinastia política que divide o país, e o esquerdista Roberto Sánchez: duas visões diametralmente opostas para uma nação corroída pela instabilidade e pela criminalidade.
Keiko, filha do ex-presidente autocrata Alberto Fujimori, busca a Presidência pela quarta vez consecutiva, com uma vantagem apertada sobre Sánchez, afilhado político do ex-presidente Pedro Castillo, preso por uma tentativa fracassada de autogolpe de Estado.
Do litoral desértico aos Andes à Amazônia, cerca de 27 milhões de peruanos são convocados às urnas para definir quem governará o país por cinco anos, em um contexto de desgaste com a criminalidade, a corrupção disseminada e o caos político, com oito presidentes em uma década.
"Estamos entre a cruz e a espada, entre satanás e o próprio demônio. Não concordo com o comunismo nem com a direita", disse à AFP Marco Sánchez, um taxista de Lima de 38 anos, que pretende anular seu voto.
O resultado é imprevisível. As pesquisas mostram um quarto do eleitorado indeciso diante de dois candidatos com pouco apoio popular: somados, eles não chegaram a 30% dos votos no primeiro turno de 12 de abril, marcado por falhas logísticas e denúncias de fraude.
No segundo turno, Fujimori, administradora de empresas de 51 anos, aparece apenas três pontos à frente de Sánchez, congressista, ex-ministro e psicólogo de 57 anos, segundo uma pesquisa Ipsos divulgada no domingo.
- Caos com "C" ou com "K"? -
Fujimori promete mão dura na segurança e acusa Sánchez de levar o país à "destruição" que atribui à esquerda: "É uma decisão entre ordem ou caos".
Seu rival, apoiado por ultranacionalistas, propõe uma "mudança radical" em favor dos excluídos. Como símbolo, usa o chapéu camponês que ganhou de Castillo, um professor rural destituído quando tentou dissolver o Parlamento em 2022.
O esquerdista, que afirma que indultará seu mentor caso vença, culpa Keiko pela instabilidade política devido à influência de seu partido, Força Popular, no poderoso Congresso que derruba governantes.
"Caos se escreve com k de Keiko", diz Sánchez. Ela rebate com "c de Castillo".
Na última década, o Peru teve uma média de quase um presidente por ano, algo inédito na região. O vencedor do segundo turno substituirá, a partir de 28 de julho, o presidente interino, o esquerdista José María Balcázar.
Sem ter obtido maioria legislativa na eleição de abril, o futuro presidente terá que lidar com um Congresso que, depois de três décadas, volta a ser bicameral.
"A institucionalidade democrática está em jogo, infelizmente há anos", disse à AFP Patricia Zárate, analista do Instituto de Estudos Peruanos.
- Migalhas para o povo -
Ser filha de um ex-presidente condenado por crimes contra a humanidade e corrupção a privou da cadeira presidencial, mas Keiko aposta que o medo da criminalidade desenfreada levará os peruanos a escolher uma liderança forte como a de seu pai na década de 1990.
"Vou votar nela porque espero que tenha esse gene do pai dela para mudar esta situação", afirmou em um mercado de Lima Hugo Rojas, vendedor de pães de 54 anos.
Fujimori promete expulsar migrantes e militarizar as ruas e os presídios para acabar com os criminosos com "a mesma determinação", diz, com que seu pai derrotou os insurgentes do Sendero Luminoso e do MRTA.
Sánchez propõe uma depuração da polícia, apoio dos militares e a revogação de leis flexíveis com os criminosos, mas fala em respeito aos direitos humanos.
Em 2025, houve 26.500 denúncias de extorsão, nove vezes mais do que cinco anos antes. Na região de Lima, a taxa de homicídios triplicou, para 23 por 100.000 habitantes, segundo dados oficiais.
"Estamos indignados com os políticos corruptos que deixam migalhas para o povo. Se não pago a taxa de extorsão, coloco minha família em risco, e, se não trabalho, não como", critica o mototaxista Oliver Cotera, de 50 anos.
Apesar do caos político, o futuro presidente receberá uma economia que cresceu 3,4% em 2025 e teve a inflação mais baixa da América Latina. Em contrapartida, a mineração ilegal disparou e sete em cada dez trabalhadores estão na informalidade.
Fujimori, que recorda a estabilidade da economia no governo de seu pai, defende o investimento estrangeiro, enquanto seu adversário defende uma economia estatal.
N.Schaad--VB