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OIT anula nomeação de funcionário americano por atrasos de pagamentos de Washington
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) anulou a nomeação de Sheng Li, funcionário do governo do presidente Donald Trump, como seu diretor-geral adjunto devido ao descumprimento de Washington no pagamento de suas contribuições.
O diretor-geral do organismo das Nações Unidas, Gilbert Houngbo, "decidiu rescindir a nomeação do diretor-geral adjunto, considerando os contínuos atrasos no pagamento das contribuições", indicou a OIT em um comunicado.
Como consequência, Sheng Li, funcionário de alto escalão do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, "não assumirá o cargo de diretor-geral adjunto em julho, como havia sido previsto anteriormente".
Sua nomeação na organização sediada em Genebra foi anunciada em abril. Em 1º de junho, os EUA haviam acumulado atrasos de mais de 173 milhões de francos suíços (220 milhões de dólares ou 1,1 bilhão de reais) nos últimos dois anos, segundo dados do site da OIT.
Washington também precisa pagar suas contribuições correspondentes a 2026, no valor de quase 84 milhões de francos suíços.
Os Estados Unidos não são o único país a atrasar pagamentos. O organismo examinará sua situação financeira, as medidas de contingência que considera tomar e o avanço de suas reformas na próxima sessão de seu conselho de administração, nos dias 12 e 13 de junho.
A decisão de descartar Li é entendida sem prejuízo à possibilidade de que os Estados Unidos quitem seus atrasos e recuperem sua posição como maior contribuinte das cotas obrigatórias.
"A OIT mantém um diálogo construtivo com o governo dos Estados Unidos sobre esta questão", afirma o comunicado.
O organismo está sem um diretor-geral adjunto desde setembro, quando Celeste Drake — também americana — deixou o cargo.
Este posto costuma ser ocupado por um cidadão americano, mas o sindicato dos funcionários da organização questionou a continuidade dessa tradição no momento em que Washington não pagou suas contribuições.
Assim como outras entidades da ONU, a OIT enfrenta atualmente uma forte pressão financeira e está imersa em profundas reformas enquanto busca ajustar seu orçamento.
Como medida de último recurso, cortará até 350 postos de trabalho em todo o mundo e congelará as contratações.
O organismo conta com 3.454 funcionários, sendo 1.175 em sua sede em Genebra e 2.279 em seus escritórios em todo o mundo, segundo dados de dezembro.
S.Gantenbein--VB