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Começa contagem de votos na Colômbia, com a esquerda à prova em meio a onda de violência
A Colômbia encerrou neste domingo (31) a votação do primeiro turno presidencial e iniciou a contagem dos votos para definir o próximo governante de um país mergulhado na violência e dividido entre prolongar a era da esquerda ou promover uma guinada para a extrema direita.
Maior produtor mundial de cocaína, o país enfrenta uma intensificação do conflito armado ao final do governo de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história colombiana. Embora seja muito popular entre as classes mais baixas por seus programas sociais, ele não podia concorrer à reeleição por determinação legal.
O candidato de seu partido, o senador de 63 anos Iván Cepeda, lidera as intenções de voto segundo as pesquisas realizadas antes da eleição, mas não teria apoio suficiente para evitar um segundo turno em 21 de junho.
Seus possíveis adversários são o advogado milionário Abelardo de la Espriella, de 47 anos, ou a senadora opositora Paloma Valencia, de 50 anos, herdeira política do influente ex-presidente Álvaro Uribe.
Ambos os candidatos de extrema direita defendem uma política de mão dura contra o crime e rejeitam as negociações de paz promovidas por Petro, que não conseguiram conter a pior onda de violência da última década.
"É muito preocupante por causa da questão do narcotráfico. Já não há guerrilhas, é praticamente apenas narcotráfico", disse à AFP Payan Santiago Calambaz, um indígena misak de 22 anos que votou em uma área conflituosa do sudoeste do país.
"Esperamos" que com o novo governo "isso melhore", acrescentou.
Os locais de votação fecharam após uma jornada tranquila, em meio a cessares-fogo das principais guerrilhas. O governo mobilizou 408 mil agentes das forças de segurança para garantir a ordem.
- "Incerteza" -
Cepeda, filho de um político comunista assassinado por agentes do Estado e paramilitares, votou em um bairro popular de Bogotá onde cresceu antes de se exilar na antiga Tchecoslováquia, Bulgária e Cuba.
"Vamos celebrar o segundo governo progressista na Colômbia", afirmou o filósofo e defensor dos direitos humanos.
No polo oposto está Abelardo de la Espriella, um excêntrico advogado milionário de 47 anos que se autodenomina "El Tigre", cujo símbolo é a saudação militar e que promete a morte ou a prisão para mafiosos.
"Vamos vencer no primeiro turno para derrotar a tirania", declarou, cercado por seguranças, ao votar na cidade caribenha de Barranquilla.
A campanha transcorreu em meio a um clima de polarização e medo, com atentados mortais atribuídos a guerrilhas, o assassinato de um candidato à Presidência e a recusa dos principais candidatos em participar de debates.
"Para mim, o mais complexo é a questão da segurança, a expansão dos nossos grupos armados que fazem bloqueios por toda parte", disse Jhon Jairo Aristizábal, médico de 55 anos do departamento de Antioquia, reduto da direita.
- "Muito sombrio" -
Petro foi o grande protagonista da campanha após um governo marcado por rupturas. O ex-guerrilheiro, que assinou a paz em 1990, entrou em confronto com o Congresso, os tribunais, a Procuradoria-Geral e o banco central.
Ao abrir a jornada eleitoral, mostrou à imprensa sua cédula de votação em favor de Cepeda.
"O voto deve ser livre e sem pressão", declarou.
Cepeda propõe dar continuidade às políticas de Petro e aposta nos "excluídos", em meio a uma crise fiscal.
A oposição o critica por ser um dos arquitetos da "Paz Total", política com a qual Petro tentou, sem sucesso, negociar com os grupos que permaneceram armados após o acordo de paz firmado com a guerrilha das Farc em 2016.
"É um momento de muita incerteza, porque existe muita esperança, mas também o cenário pode ser muito sombrio", disse à AFP a colombiana Natalia Valencia, funcionária pública de 46 anos.
- "Sofrem" por causa da guerrilha -
"As pessoas que vivem nos territórios sofrem com a guerrilha e com os deslocamentos forçados", afirmou Laura López, advogada de 27 anos.
Admirador do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assim como do salvadorenho Nayib Bukele e do argentino Javier Milei, ele propõe construir dez megapresídios e reduzir o tamanho do Estado em 40%.
Seus atos de campanha incluíram espetáculos com fogos de artifício e vídeos produzidos com inteligência artificial. Também exibiu habilidades de cantor e fez discursos combativos dentro de uma cápsula à prova de balas.
Os Estados Unidos acompanham de perto as eleições, após os constantes atritos entre Petro e Trump que ameaçaram a relação entre dois países historicamente aliados no combate ao narcotráfico.
F.Stadler--VB