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Irã e EUA acusam um ao outro de violar o cessar-fogo
Irã e Estados Unidos acusaram um ao outro, nesta quinta-feira (28), de violar o cessar-fogo após ataques cruzados que fragilizam ainda mais as negociações para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
O conflito, desencadeado em 28 de fevereiro por uma ofensiva israelense-americana, deixou milhares de mortos, principalmente em Irã e Líbano.
Além disso, abalou a economia global, sobretudo devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz pela República Islâmica. A passagem é uma via marítima crucial para o abastecimento de hidrocarbonetos.
As últimas hostilidades foram as mais graves desde que o cessar-fogo entrou em vigor, em 8 de abril.
As forças americanas derrubaram quatro aeronaves não tripuladas do Irã, que representavam uma "ameaça no Estreito de Ormuz", informou um funcionário americano.
Segundo ele, o exército também bombardeou "uma estação iraniana de controle terrestre" em Bandar Abbas, cidade portuária às margens desta passagem marítima estratégica.
"Estas ações foram comedidas, puramente defensivas, e destinadas a manter o cessar-fogo", afirmou.
Em represália, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou, nesta quinta-feira, ter lançado um ataque contra uma base americana sem detalhar qual, mas o Kuwait, aliado próximo de Washington, condenou o ataque com drones e mísseis contra seu território, que atribuiu ao Irã e informou que isto marca "uma escalada perigosa".
As forças iranianas também efetuaram disparos de advertência contra quatro navios que tentavam atravessar Ormuz, informou a TV estatal (Irib) nesta quinta-feira.
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou horas depois que Estados Unidos e Israel buscam desestabilizar a República Islâmica, em uma mensagem por escrito lida na televisão estatal.
"O plano cego do inimigo, após a guerra imposta, a pressão econômica e o cerco político e propagandístico, é criar divisões e desintegração para compensar as derrotas militares e colocar a nação de joelhos", disse Khamenei, que não aparece em público desde antes de assumir o cargo, em março.
A chancelaria iraniana, por sua vez, condenou as "violações contínuas do cessar-fogo" por parte dos Estados Unidos, e seu porta-voz, Esmaeil Baqaei, disse que o Irã "tomará todas as medidas necessárias para defender sua soberania nacional".
O porta-voz também condenou a "retórica ameaçadora" de Washington contra a República Islâmica e Omã.
Enquanto isso, o Exército americano disse que o ataque iraniano com míssil contra o Kuwait é uma "flagrante violação do cessar-fogo".
Neste contexto, os moradores de Teerã expressaram preocupação.
Mahtab, uma cabeleireira de 62 anos, se disse aliviada porque sua filha conseguiu sair do país, pois morar ali "é um inferno". O filho dela, contou, entristecida, é obrigado a "viver de salário em salário", sem qualquer perspectiva de futuro.
- Ataques no Líbano -
Em outra das frentes mais ativas, os bombardeios e combates prosseguem no Líbano apesar de outro cessar-fogo que, em teoria, está em vigor desde 17 de abril.
O Ministério da Saúde do Líbano afirmou, nesta quinta-feira, que ataques israelenses no sul do país mataram ao menos 14 pessoas, entre elas duas crianças, e deixaram outras 21 feridas.
O Exército libanês acrescentou que um soldado morreu em outro ataque israelense "enquanto dirigia pela estrada" na região de Nabatiyeh.
Antes dessa escalada, as negociações entre Irã e Estados Unidos para encerrar o conflito avançavam, embora com dificuldade.
Na quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, também voltou a ameaçar com a retomada das hostilidades.
Diante desse cenário, os preços do petróleo voltavam a subir enquanto se afasta a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã, por onde antes da guerra transitava um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito consumidos no mundo.
K.Hofmann--VB