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De xarope de agave a 'terras raras': UE e México acertam expansão comercial
A União Europeia e o México concordaram, nesta sexta-feira (22), em ampliar seus laços comerciais, em um contexto marcado por um governo dos Estados Unidos mais protecionista sob a presidência de Donald Trump.
O comércio entre o México e a UE chega a cerca de 116 bilhões de dólares (584 bilhões de reais, na cotação atual). Bruxelas afirma que a atualização do acordo comercial aumentará ainda mais esse número.
A União Europeia é o terceiro maior parceiro comercial do México. E o México é o segundo maior parceiro comercial do bloco na América Latina, depois do Brasil.
Segundo Bruxelas, a atualização do pacto facilitará que esses "parceiros afins" exportem e invistam nos mercados um do outro.
- Alimentação e bebidas -
A UE apontou que os agricultores europeus serão beneficiados, já que o México é um importador líquido de alimentos e existem limites para a quantidade de produtos sensíveis que o país pode exportar.
Por exemplo, a UE limitará as importações de carne bovina mexicana, com uma cota de 5.000 toneladas que poderá entrar com uma tarifa preferencial de 7,5%.
Dessa forma, Bruxelas quer evitar desagradar os agricultores, após a dura batalha pelo acordo comercial entre a UE e o Mercosul.
O México também concordou em reconhecer centenas de produtos alimentícios e bebidas provenientes de regiões específicas da UE, como o presunto de Parma e o queijo Roquefort.
Além disso, reduzirá as tarifas sobre mais produtos e dará acesso livre de direitos aduaneiros a massas, chocolate, batatas, pêssegos enlatados, ovos e determinados produtos avícolas.
Em troca, a UE dará acesso ao México ao mercado do bloco para produtos como café, frutas, chocolates e xarope de agave.
- "Terras raras" -
Para Bruxelas, a atualização do acordo comercial significa que as empresas europeias terão maior acesso ao mercado mexicano e poderão disputar mais contratos públicos.
Também permitirá que, segundo Bruxelas, as empresas europeias encontrem facilidades para exportar máquinas, produtos farmacêuticos e equipamentos de transporte.
A UE espera que o acordo abra caminho para um melhor fornecimento de matérias-primas críticas - "terras raras" e outros metais estratégicos essenciais para a eletrônica e as energias renováveis - a partir do México, que já é um fornecedor-chave para o bloco.
O pacto proíbe que os importadores da UE paguem um preço diferente do que pagam os compradores mexicanos pelas matérias-primas críticas.
O bloco europeu busca diversificar seu fornecimento de matérias-primas críticas para reduzir sua dependência desses elementos provenientes da China.
Da mesma forma, o acordo facilitará que as empresas europeias enviem peças de automóveis ao México mediante o reconhecimento de certificações europeias e normas internacionais.
Mas Bruxelas insistiu que não permitirá que os fabricantes chineses utilizem o México para exportar para a Europa veículos produzidos na China.
E.Burkhard--VB