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Manifestantes e policiais se enfrentam em La Paz em protesto contra governo na Bolívia
Policiais do batalhão de choque enfrentam nesta quinta-feira (22), com gás lacrimogêneo, manifestantes que tentam avançar em direção ao centro da capital política da Bolívia, em uma marcha massiva para exigir a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, constataram jornalistas da AFP.
Em meio a uma densa fumaça de gás, os manifestantes lançam pedras contra as forças de segurança e detonam cartuchos de dinamite de baixa potência usados na mineração.
Paz, com apenas seis meses no poder, está encurralado por uma onda de protestos, apesar de seus apelos ao diálogo e dos anúncios de que ouvirá os setores sociais, que exigem uma saída para a pior crise econômica do país andino em quarenta anos.
"Que renuncie, caralho!", grita a multidão de camponeses, operários, mineiros, transportadores e professores que paralisa as ruas de La Paz, sede do governo, isolada há três semanas por bloqueios de estradas que provocaram escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos.
Vestidos com capacetes ou ponchos, os manifestantes, muitos dos quais agitam bandeiras indígenas, tentaram avançar entre gritos e o barulho de fogos de artifício. Jornalistas da AFP viram ao menos três detidos.
"Seis meses de governo e ele não conseguiu resolver o básico, os preços da cesta básica. Temos que escolher entre comprar carne ou comprar leite", diz durante a marcha Melina Apaza, de 50 anos, da região mineradora de Oruro (sul).
Os acessos à praça de armas, em frente ao palácio do governo, estão protegidos por grades e vigiados por centenas de policiais antimotim.
Muitos estabelecimentos fecharam as portas e os vendedores ambulantes recolheram suas mercadorias por medo de saques.
Um grupo de moradores de El Alto, próxima a La Paz, bloqueou os acessos ao aeroporto, o principal do oeste boliviano.
As reivindicações iniciais por aumentos salariais, combustíveis de qualidade e estabilização da economia — a inflação anual foi de 14% em abril — se radicalizaram nos últimos dias.
Agora os manifestantes pedem a saída do mandatário, que pôs fim a 20 anos de governos socialistas liderados por Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025).
J.Marty--VB