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Primeiros ativistas da flotilha para Gaza expulsos por Israel chegam à Turquia
O primeiro grupo de ativistas da flotilha para Gaza expulsos por Israel chegou à Turquia nesta quinta-feira (21), após a indignação internacional pelos maus-tratos que receberam durante a detenção.
Após a divulgação de imagens dos ativistas com as mãos amarradas e as testas contra o chão, publicadas pelo ministro israelense de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, Espanha e Itália pediram sanções da União Europeia contra o alto funcionário, e a Irlanda, medidas contra Israel.
Mais de 400 tripulantes que estavam a bordo de aproximadamente 50 embarcações foram interceptados na segunda-feira pelo exército israelense no Mediterrâneo, a oeste de Chipre. Eles foram, então, levados à força para Israel e detidos na prisão de Ktziot, informou a ONG Adalah, que os representou legalmente.
"Todos os ativistas estrangeiros da flotilha da Solidariedade com a Palestina foram deportados de Israel. Israel não permitirá nenhuma violação do bloqueio naval legal a Gaza", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Oren Marmorstein.
A ONG Adalah informou que eles foram levados ao aeroporto de Ramon - perto de Eilat, no sul de Israel - para serem expulsos do país. Os ativistas egípcios e jordanianos foram trasladados a seus respectivos países para Taba e Aqaba, perto das fronteiras com Israel.
A Turquia afirmou que enviaria três voos especiais para repatriar seus cidadãos e os de países terceiros, no total 422 participantes da flotilha, 85 deles turcos, segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores.
Um primeiro grupo de ativistas da flotilha de Gaza começou a chegar ao aeroporto de Istambul e foi recebido por uma multidão com bandeiras palestinas, constatou um correspondente da AFP.
- "Todos fomos atacados, agredidos" -
Os ativistas da "Global Sumud Flotilla" ("sumud" significa resiliência em árabe) queriam chamar a atenção para a situação humanitária na Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra entre o Hamas e Israel, ao romper o bloqueio marítimo que o Estado israelense impõe ao pequeno território costeiro palestino.
Na quarta-feira, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, provocou indignação internacional e até mesmo dentro de seu próprio governo ao publicar um vídeo dos ativistas da flotilha ajoelhados e com as mãos amarradas.
Uma jovem que gritou "Palestina livre" enquanto o ministro passava teve a cabeça pressionada contra o chão por forças de segurança.
Gvir, do partido Poder Judaico, foi criticado pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e pelo ministro das Relações Exteriores de Israel.
No entanto, Netanyahu defendeu seu país, afirmando que "tem todo o direito de impedir que flotilhas provocadoras de apoiadores terroristas do Hamas" entrem em suas águas territoriais e cheguem a Gaza, referindo-se ao movimento islamista palestino que desencadeou a guerra ao lançar um ataque sem precedentes contra Israel em 7 de outubro de 2023.
As reações internacionais, especialmente dos países cujos cidadãos foram presos, não demoraram a chegar.
O chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, qualificou as imagens como "inaceitáveis" e anunciou que seu país impulsionará a imposição de sanções da UE contra o ministro israelense que gravou as imagens.
O tratamento dado aos detidos foi qualificado como "inadmissível" pela Itália e o chanceler Antonio Tajani declarou que pediu sanções contra o ministro israelense.
O primeiro-ministro da Irlanda, Micheal Martin, pediu ao Conselho Europeu que a UE tome "novas medidas" contra Israel em uma carta à qual a AFP teve acesso.
Bilal Kitay, cidadão turco originário de Bingöl, cidade de maioria curda a leste do país, abraçou sua esposa ao chegar a Istambul, após ser deportado. Ele participava da segunda missão com a flotilha para Gaza.
O ativista, que estava a bordo de um veleiro na companhia de uma dezena de pessoas, afirmou que esta interceptação por parte das forças israelenses foi "muito, muito mais violenta que a anterior", em abril.
"Todos fomos atacados, agredidos, tanto as mulheres quanto os homens. Muitos gritavam. Mas, na realidade, isso não tem nenhuma importância. É o que os palestinos vivem constantemente", relatou.
"Infelizmente, tratam melhor seus animais. Só eles se consideram humanos", declarou, reiterando a firme intenção de voltar a embarcar em uma próxima missão.
S.Leonhard--VB