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Rubio oferece aos cubanos uma 'nova relação' entre EUA e Cuba
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, ofereceu aos cubanos uma "nova relação" entre seu país e Cuba, em uma mensagem especial em vídeo divulgada nesta quarta-feira (20), na qual acusou a liderança comunista da ilha de roubo, corrupção e opressão.
A mensagem, que mostra Rubio falando diretamente ao povo cubano em espanhol, é divulgada quando se espera que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anuncie, nas próximas horas, uma acusação criminal contra o ex-líder cubano Raúl Castro, de 94 anos.
"O presidente Trump oferece uma nova relação entre os Estados Unidos e Cuba, mas ela precisa ser diretamente com vocês, o povo cubano", disse o secretário de Estado.
O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 20 de maio, data comemorada pela comunidade cubana nos Estados Unidos como o Dia da Independência de Cuba. No entanto, o governo cubano prioriza outras datas em sua narrativa histórica, como o triunfo da Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959.
"Intervenção, interferência, desapropriação, frustração. É isso que o dia 20 de maio significa na história de Cuba", reagiu o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, na rede social X, referindo-se à Emenda Platt, um anexo à primeira Constituição cubana que permitiu a intervenção militar de Washington na ilha.
Este apelo dos Estados Unidos surge em meio a tensões crescentes entre Washington e Havana, e a uma crise econômica e energética na ilha caribenha, após Donald Trump ter assinado um decreto em 29 de janeiro que ameaça impor tarifas aos países que vendem petróleo para Cuba.
- "Roubaram bilhões" -
Rubio também reiterou a oferta de 100 milhões de dólares (cerca de R$ 565 milhões, na cotação atual) em alimentos e medicamentos, que deveriam ser distribuídos diretamente ao povo cubano pela Igreja Católica ou por outra organização beneficente.
O secretário de Estado americano também criticou a repressão contra "qualquer pessoa que se atreva a se queixar" em Cuba e mencionou, ainda, os apagões que afetam os cubanos.
"A razão pela qual vocês são obrigados a sobreviver 22 horas por dia sem eletricidade não se deve a um bloqueio petrolífero dos Estados Unidos", afirmou, referindo-se às interrupções constantes no fornecimento de energia na ilha comunista.
"Como vocês sabem melhor do que ninguém, sofrem com apagões há anos. A verdadeira razão pela qual não têm eletricidade, combustível, nem alimentos é que aqueles que controlam seu país desviaram bilhões de dólares, mas nada foi usado para ajudar o povo", argumentou Rubio, de origem cubana.
- "Dias contados" -
"Em vez de usar esse dinheiro para modernizar as usinas elétricas, que estão danificadas, eles o utilizam para construir mais hotéis para estrangeiros e para enviar seus familiares para viver com luxo em Madri e até mesmo aqui, nos Estados Unidos", afirmou.
"Cuba não é controlada por nenhuma revolução", mas pela "GAESA, um Estado dentro do Estado" que beneficia uma pequena "elite".
A acusação contra Raúl Castro baseia-se em um caso que remonta a 1996, quando dois aviões civis pilotados por opositores de Fidel Castro foram abatidos.
Uma acusação contra Castro representaria uma mudança drástica no quadro das relações entre os Estados Unidos e Cuba, que sofre repetidos apagões massivos, agravados pelo embargo de petróleo imposto por Trump.
Em uma coletiva de imprensa no Capitólio, em Washington, o representante da Flórida Carlos Giménez comentou a provável acusação contra o líder revolucionário cubano: "Esta é uma mensagem para Raúl Castro: os seus dias estão contados".
Raúl Castro, que sucedeu ao seu irmão, Fidel, como presidente de Cuba, promoveu uma reaproximação histórica com os Estados Unidos em 2015, durante a presidência de Barack Obama, reaproximação esta que Trump posteriormente questionou.
D.Bachmann--VB