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Crise do Partido Trabalhista reabre debate sobre o Brexit
O Brexit entrou na crise do Partido Trabalhista britânico, após os comentários feitos no fim de semana por um dos possíveis candidatos a suceder Keir Starmer como primeiro-ministro, que sugeriu um retorno à União Europeia (UE).
Wes Streeting, que renunciou ao cargo de ministro da Saúde na semana passada, depois dos resultados desastrosos dos trabalhistas nas eleições locais e regionais de 7 de maio, classificou o Brexit, a saída do Reino Unido da UE, como "um erro catastrófico".
"Precisamos de uma nova relação especial com a UE, porque o futuro do Reino Unido está na Europa e, algum dia, dentro da União Europeia", afirmou Streeting no sábado em Londres.
A declaração não foi bem aceita por conservadores e opositores tradicionais dos trabalhistas.
Nesta segunda-feira (18), o jornal conservador The Daily Telegraph e o tabloide Daily Mail citaram uma "traição". Enquanto a líder da oposição conservadora, Kemi Badenoch, afirmou no domingo que o debate sobre o Brexit está "encerrado há muito tempo".
No referendo do Brexit, no qual foi decidida a saída ou permanência do Reino Unido no bloco, em 23 de junho de 2016, 51,9% se mostraram favoráveis a deixar a UE e 48,1% foram contra.
A saída britânica da UE, concluída em 2020, continua sendo um tema polêmico no país. Desde que chegou ao poder, em julho de 2024, Starmer tem procurado se aproximar da Europa, embora insista que o Reino Unido não voltará a fazer parte do bloco.
- Instabilidade política -
O atual primeiro-ministro promoveu uma maior cooperação em defesa e segurança e uma redução das barreiras comerciais, com acordos para suavizar controles e trâmites em exportações e importações.
Com Starmer, o Reino Unido voltou a participar de programas da UE, sobretudo em cooperação acadêmica e entre s jovens, além de fomentar uma relação política mais estreita com Bruxelas, com reuniões frequentes com dirigentes europeus.
Starmer está consciente de que o Brexit trouxe grande instabilidade política.
O conservador David Cameron convocou o referendo e renunciou após a vitória dos partidários da saída do bloco.
Após deixar o poder em 2016, outros quatro premiês conservadores, Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss e Rishi Sunak, passaram por Downing Street em apenas oito anos.
Starmer pôs fim, em 2024, a 14 anos de governos conservadores, prometendo estabilidade, crescimento econômico e uma relação mais pragmática com a Europa.
A aproximação do país com a Europa coincide com um afastamento de seu tradicional aliado, os Estados Unidos.
Em meados de abril, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou revisar o acordo comercial com o Reino Unido, de 2025, lamentando a falta de apoio britânico na guerra contra o Irã.
"Quando pedimos ajuda, eles não estavam lá; quando precisamos deles, não estavam lá. E ainda não estão", declarou Trump naquela ocasião.
As eleições locais e regionais de 7 de maio demonstraram o partido anti-imigração Reform UK como a principal força política do país, elegendo 1.450 vereadores, enquanto os trabalhistas perderam 1.500. Os conservadores, por sua vez, deixaram de ser a segunda força do país.
Desde que chegou ao poder, a popularidade de Starmer, de 63 anos, não parou de cair, em um contexto de economia estagnada e aumento do custo de vida, agravado pela guerra no Oriente Médio.
Streeting, de 43 anos, da ala direita do Partido Trabalhista, ainda não se apresentou formalmente como candidato à sucessão de Starmer; para isso, precisaria do apoio de 20% dos 403 parlamentares de seu partido, em uma Câmara com 650 cadeiras.
C.Bruderer--VB