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Irã questiona seriedade dos EUA e não responde à nova proposta para encerrar conflito
O Irã colocou em dúvida neste sábado (9) a seriedade da diplomacia dos Estados Unidos nas negociações em curso para encontrar uma saída para o conflito no Oriente Médio, sem anunciar sua resposta à última proposta apresentada por Washington.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, expressou esse ceticismo durante uma conversa telefônica com seu par turco, Hakan Fidan, um dia após novos confrontos.
"A recente escalada de tensões por parte das forças americanas e suas múltiplas violações do cessar-fogo reforçam as suspeitas sobre a motivação e a seriedade da parte americana na diplomacia", afirmou Araghchi, segundo informou a agência iraniana Isna.
O presidente dos EUA, Donald Trump, havia declarado na sexta-feira que esperava ainda naquela noite uma resposta dos iranianos a uma proposta destinada a pôr fim de maneira duradoura às hostilidades.
"Devo receber uma carta esta noite, então veremos como tudo se desenrola", afirmou a jornalistas.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, citado pela televisão estatal, havia indicado que o Irã continuava estudando a proposta americana.
- Confrontos no mar -
Na sexta-feira, o Exército americano anunciou ter "neutralizado" dois petroleiros iranianos no golfo de Omã, porta de entrada do Estreito de Ormuz.
Embora, segundo os militares, os navios não transportassem carga, as imagens divulgadas pelo comando militar americano para a região (Centcom) mostram densas colunas de fumaça saindo das pontes de comando.
O Irã, por sua vez, denunciou na ONU uma "flagrante violação" da trégua concluída um mês antes.
Uma fonte militar citada pela agência Tasnim afirmou que as forças iranianas haviam respondido.
"Após um período de troca de tiros, os confrontos cessaram por enquanto e a calma retornou", indicou.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã mantém bloqueado o Estreito de Ormuz, ao que os Estados Unidos responderam impondo um bloqueio aos portos iranianos.
A guerra causou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e abala a economia mundial.
- Um morto no Líbano -
Na outra frente do conflito, no Líbano, Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah prosseguem com seus ataques mútuos diários, apesar do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril, que ambos acusam o outro lado de violar.
O Exército israelense voltou a ordenar neste sábado a evacuação imediata de várias localidades do sul do país com vistas a ataques contra o movimento.
A agência de imprensa libanesa NNA informou sobre uma série de bombardeios israelenses na região.
Segundo o Ministério libanês da Saúde, um deles, dirigido contra uma motocicleta na cidade de Nabatiyeh, fora das zonas designadas para evacuação, matou um cidadão sírio e feriu gravemente sua filha de 12 anos.
O Hezbollah arrastou Beirute para a guerra em 2 de março, ao retomar seus ataques contra Israel em apoio a seu aliado iraniano, após a ofensiva conjunta dos EUA e de Israel contra a República Islâmica.
Os bombardeios israelenses no Líbano causaram 2.750 mortos desde o início da guerra, segundo um balanço do Ministério da Saúde publicado na sexta-feira, além de mais de um milhão de deslocados.
Novas conversas entre os dois países vizinhos — ainda tecnicamente em estado de guerra — estão previstas em Washington nos dias 14 e 15 de maio, embora o Hezbollah se oponha a elas.
"Consolidar o cessar-fogo" faz parte dos "objetivos essenciais" que o Líbano espera desta terceira sessão de negociações com Israel, indicou o chefe da diplomacia libanesa, Yusef Raggi.
burx-myl-bar/pno/arm/lb/am
R.Buehler--VB