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Israel intercepta flotilha de ajuda para Gaza e detém dezenas ativistas
Israel afirmou nesta quinta-feira (30) que seu Exército interceptou, em frente ao litoral da ilha de Creta, na Grécia, uma flotilha de ajuda com destino à Faixa de Gaza e deteve dezenas de ativistas pró-palestinos, os quais concordou em transferir ao país europeu.
As autoridades israelenses anunciaram que tinham capturado 175 ativistas a bordo de mais de 20 barcos, enquanto os organizadores do comboio cifraram o número em 211, entre eles uma vereadora de Paris.
Inicialmente, todos seriam levados a Israel.
Mas, "após um acordo com o governo da Grécia, os civis [...] serão desembarcados nas próximas horas na costa grega", escreveu o chanceler israelense, Gideon Saar, na rede social X.
A Grécia "garantirá o retorno seguro a seus países", assinalou, por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores grego em comunicado.
A flotilha estava formada por mais de 50 barcos que partiram nas últimas semanas de Marselha (França), Barcelona (Espanha) e Siracusa (Itália).
Em um comunicado conjunto, mais de 10 países, entre eles Espanha, Turquia, Brasil e Paquistão, denunciaram "flagrantes violações do direito internacional" por parte de Israel.
Madri convocou o encarregado de negócios de Israel na Espanha.
"Israel volta a violar a lei internacional ao abordar uma flotilha civil em águas que não lhe pertencem", disse o presidente de governo espanhol, Pedro Sánchez.
- 'Sucesso total' -
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, por sua vez, classificou a interceptação de "sucesso total" e descreveu os participantes como "partidários" do movimento islamista palestino Hamas.
O governo americano de Donald Trump respaldou Israel e criticou os aliados europeus de Washington, de cujos territórios zarparam os barcos, de apoiarem "esta manobra política inútil".
"Os Estados Unidos analisarão o uso das ferramentas disponíveis para impor consequências aos que prestam apoio a esta flotilha pró-Hamas e respalda as ações legais de nossos aliados contra ela", disse o porta-voz da diplomacia americana, Tommy Pigott, em uma declaração.
Em 2025, uma primeira viagem da Flotilha Global Sumud ("resiliência" em árabe) para Gaza atraiu a atenção mundial.
Centenas de ativistas, entre eles a sueca Greta Thunberg, o brasileiro Thiago Ávila e a eurodeputada franco-palestina Rima Hassan, foram detidos no mar, levados para Israel e depois expulsos.
Os ativistas deste novo comboio diziam querer romper o bloqueio de Gaza e levar ajuda humanitária a esse território palestino, cujo acesso continua fortemente restrito, apesar de um frágil cessar-fogo entre Israel e Hamas vigente desde outubro.
A Flotilha Global Sumud disse no X que seus barcos tinham sido abordados "por lanchas militares", e que os efetivos israelenses haviam "apontado com lasers e armas de assalto semiautomáticas" e "ordenado aos participantes que se agrupassem na parte dianteira dos barcos e ficassem de quatro".
Foram "sequestrados" por Israel, denunciou em entrevista coletiva por videoconferência Yasmine Scola, que está a bordo de um dos barcos não interceptados. Segundo ela, sua embarcação transportava material escolar e alimentos.
As autoridades israelenses disseram ter encontrado preservativos e cocaína a bordo.
- 'Bloqueio cruel' -
"A operação foi realizada em águas internacionais, pacificamente, sem fazer vítimas", declarou, por sua vez, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Oren Marmorstein.
"Devido ao grande número de embarcações que participam da flotilha, ao risco de escalada e à necessidade de impedir a violação de um bloqueio legal, impunha-se uma ação precoce", acrescentou.
A Anistia Internacional criticou Israel, alegando que sua Marinha "percorre centenas de milhas náuticas para impedir que barcos civis que transportam comida, leite infantil e material médico cheguem aos palestinos".
Segundo a ONG, isso "demonstra até onde Israel está disposto a ir para manter seu bloqueio cruel e ilegal".
A Faixa de Gaza, governada pelo movimento islamista palestino Hamas, está submetida a um bloqueio israelense desde 2007.
A devastadora guerra desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas em território israelense em 7 de outubro de 2023 provocou uma grave escassez de alimentos, água, medicamentos e combustível.
Desde o início da entrada do frágil cessar-fogo em outubro, o Exército israelense controla mais da metade do pequeno território costeiro palestino.
F.Wagner--VB