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Irã volta a fechar Estreito de Ormuz diante de bloqueio de seus portos por parte dos EUA
O Irã anunciou neste sábado (18) que voltou a fechar o Estreito de Ormuz, poucas horas depois de tê-lo reaberto, em resposta à decisão dos Estados Unidos de manter o bloqueio aos seus portos.
A república islâmica havia "aceitado de boa fé autorizar a passagem de um número limitado de petroleiros e navios comerciais" pelo estreito, mas decidiu retomar o controle diante dos "atos de pirataria amparados no chamado bloqueio" americano, anunciou anteriormente o comando central das forças armadas iranianas.
"Os americanos não podem impor sua vontade e sitiar o Irã", declarou o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Saed Jatibzadeh.
O líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou em uma mensagem escrita que as forças navais iranianas estão preparadas para infligir "novas derrotas" ao inimigo.
"Qualquer tentativa de se aproximar do Estreito de Ormuz será considerada uma cooperação com o inimigo e a embarcação infratora será considerada alvo", segundo um comunicado publicado na Sepah News.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu por sua vez que o Irã não pode "chantagear" Washington com suas mudanças de posição sobre o Estreito de Ormuz e afirmou que estão "conversando com eles".
Esse endurecimento ocorre enquanto continuam os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra no Oriente Médio, além do cessar-fogo de duas semanas entre Irã e Estados Unidos que começou em 8 de abril e expira na quarta-feira.
- 23 navios bloqueados -
Durante a breve reabertura do estreito, ao menos oito petroleiros e navios de gás o atravessaram na madrugada de sábado, segundo dados da empresa de monitoramento marítimo Kpler.
O site MarineTraffic mostrava, por sua vez, mais de uma dezena de embarcações navegando pela região, entre elas vários petroleiros, embora algumas parecessem dar meia-volta.
Após o anúncio iraniano da reabertura do estreito, Trump afirmou que o bloqueio americano aos portos iranianos continuaria "totalmente em vigor" até o fim das negociações.
"Desde o início do bloqueio, 23 navios acataram as ordens das forças americanas de dar meia-volta e retornar ao Irã", indicou neste sábado, na rede X, o comando central dos Estados Unidos, em um novo balanço.
Uma agência britânica de segurança marítima indicou que a Guarda Revolucionária do Irã disparou contra um petroleiro, enquanto a empresa de inteligência de segurança Vanguard Tech informou que essa força havia ameaçado "destruir" um navio de cruzeiro vazio que fugia do Golfo.
Em um terceiro incidente, a agência britânica informou ter recebido um relatório sobre uma embarcação "atingida por um projétil desconhecido que causou danos" em contêineres de carga.
Posteriormente, Nova Délhi convocou o embaixador iraniano para apresentar um protesto por um "incidente de disparos" que envolveu dois navios com bandeira indiana no estreito, segundo informou seu Ministério das Relações Exteriores.
- Trump "fala muito" -
A reabertura de Ormuz na sexta-feira e a trégua do conflito no Líbano iniciada horas antes pareciam destravar as negociações para um acordo de paz entre Washington e Teerã.
Na sexta-feira, Trump disse à AFP que um acordo de paz estava "muito próximo" e afirmou que o Irã havia aceitado entregar seu urânio enriquecido, outro ponto-chave das negociações. No entanto, o Irã negou ter aceitado a transferência dessas reservas de material físsil.
"A parte americana tuita muito, fala muito. Às vezes é confuso, às vezes, como vocês sabem, contraditório", disse Jatibzadeh.
Enquanto isso, as manobras diplomáticas continuam.
Durante uma viagem ao Irã, o chefe do Exército do Paquistão, mediador entre Washington e Teerã, entregou às autoridades iranianas "novas propostas" americanas, afirmou o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.
"A República Islâmica do Irã está analisando essas propostas e ainda não respondeu", acrescentou.
Islamabad sediou, em 11 de abril, as primeiras conversas entre Washington e Teerã, que terminaram sem acordo, e ainda não há data para uma segunda rodada, indicou Jatibzadeh.
- "Linha amarela" no Líbano -
No Líbano, outro front da guerra, o Exército de Israel anunciou que estabeleceu uma "linha amarela" de demarcação no sul do país, assim como em Gaza, e que atacou suspeitos que se aproximaram dela.
O Exército israelense continua presente no país vizinho em uma faixa de dez quilômetros de profundidade a partir da fronteira, enquanto aguarda negociações para um acordo entre Líbano e Israel, em estado de guerra desde 1948.
Por ora, um cessar-fogo vigora entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah, após um mês e meio de conflito que deixou cerca de 2.300 mortos e um milhão de deslocados no Líbano.
No entanto, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou neste sábado que um soldado francês morreu e outros três ficaram feridos em um ataque contra capacetes azuis da ONU no Líbano.
Tanto Macron quanto a missão da ONU apontaram o Hezbollah, que negou envolvimento.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu que seu país "ainda não terminou" o trabalho de conseguir o desarmamento do Hezbollah.
Trump, que obteve a trégua de dez dias, endureceu o tom e deixou claro a Israel que, a partir de agora, está "proibido" bombardear o Líbano.
burs/dc/amj/hgs-jvb/dbh/cjc/mel/am
H.Weber--VB