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Manifestantes pedem eleições e ajustes salariais ante embaixada dos EUA na Venezuela
Sindicalistas e trabalhadores pediram, nesta quinta-feira (16), em frente à embaixada dos Estados Unidos na Venezuela novas eleições e ajustes salariais ao se completar mais de 100 dias da deposição do presidente Nicolás Maduro.
Após a captura do chefe de Estado esquerdista em uma operação militar americana em janeiro, Delcy Rodríguez assumiu o cargo interinamente. Ela governa sob pressão do presidente americano, Donald Trump, que diz estar a cargo da Venezuela e da venda de seu petróleo.
Um punhado de manifestantes se mobilizou até a embaixada dos Estados Unidos em uma área abastada da capital. A sede diplomática reativou suas operações com o restabelecimento das relações entre Washington e Caracas após sete anos de ruptura.
"Queremos agradecer ao governo americano por ter nos dado um pouquinho de ar para respirar, mas que terminem o trabalho", disse o sindicalista Víctor Pereira a um funcionário local da embaixada.
Os manifestantes entregaram na sede diplomática vários pedidos de melhorias salariais, libertação de presos políticos e eleições livres. "Precisamos rapidamente de eleições", disse à AFP Carlos Salazar, coordenador de uma coalizão sindical.
A oposição venezuelana exige que Rodríguez convoque eleições diante da "ausência absoluta" de Maduro, processado por narcotráfico em Nova York, após ter se encerrado o prazo de 90 dias previsto na Constituição.
"Agora mesmo o governo venezuelano está sob a tutela dos americanos. Então, vamos falar com os americanos" para que criem "uma ponte" com Rodríguez e "responda nossas sugestões", explicou Laura Rada, sindicalista de 70 anos.
Com bandeiras da Venezuela e dos Estados Unidos, cerca de 200 pessoas se reuniram momentos antes em uma praça a poucos quilômetros da embaixada em apoio às reivindicações.
As manifestações eram raras no país após a onda de prisões provocada pela controversa reeleição de Maduro, em 28 de julho de 2024. Desde sua captura, os protestos foram reativados.
"A Venezuela está tutelada pelos Estados Unidos agora. Simples assim", assegurou Adriana Farnetano, aposentada de 62 anos, com uma pequena bandeira americana em uma mão e enrolada com a tricolor de seu país.
No entanto, ela se queixou: "Está o negócio do petróleo e tudo isso, mas isso nós não vemos agora. Nós não estamos vendo nada do petróleo, nem do ouro, nem de nada".
P.Keller--VB