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Filha de Fujimori, comediante e fã de Trump: os presidenciáveis favoritos no Peru
A filha do ex-presidente Fujimori, um comediante da TV e um empresário milionário, admirador do presidente americano, Donald Trump, que se compara a um porquinho: três figuras da direita chegam como favoritos às eleições presidenciais do próximo domingo (12) no Peru.
Keiko Fujimori lidera as últimas pesquisas a uma semana para o primeiro turno, com um recorde de 35 candidatos, e que prevê um segundo turno em junho entre ela e quem vencer a queda-de-braço entre Carlos Álvarez e Rafael López Aliaga.
- Dinastia Fujimori -
Keiko Fujimori, a outrora combativa fundadora do partido Força Popular, de direita populista, mostra hoje um tom mais moderado que em suas campanhas anteriores.
Administradora formada nos Estados Unidos, mãe de duas filhas e divorciada, forjou por duas décadas uma dinastia em nome de seu pai, o ex-presidente autocrata Alberto Fujimori (1990-2000), já falecido.
Ela "não tem outra alternativa" que vencer em sua quarta candidatura consecutiva desde 2011, diz à AFP o cientista político Carlos Meléndez, que pesquisa o fujimorismo.
A candidata, de 50 anos, se apresenta como a opção certa para derrotar as quadrilhas que praticam extorsão e os sicários, ao apelar à memória do pai, uma figura que divide o país.
Embora tenha sido condenado por violações aos direitos humanos e corrupção, Alberto Fujimori é considerado o artífice da derrota do grupo maoísta Sendero Luminoso, a guerrilha mais sangrenta das Américas, cujos métodos foram comparados aos do Khmer Vermelho, no Camboja.
"Nosso país precisa de ordem. E isso já conseguimos" nos anos 1990, disse Keiko Fujimori, durante um recente debate televisionado.
Ela liderou com preferência de 15% a última pesquisa de intenções de voto Ipsos, autorizada antes da restrição que vigora na semana anterior ao pleito.
E promete adotar a "linha-dura" contra o crime e tirar o Peru da Corte Interamericana de Direitos Humanos para implementar "juízes sem rosto" (encapuzados) para julgar criminosos.
- O 'outsider' -
O comediante Carlos Álvarez, um imitador de políticos conhecido que surgiu na campanha como o novo partido País para Todos, é a grande novidade destas eleições.
Começou atrás nas pesquisas, mas a uma semana do pleito, desbancou do segundo lugar López Aliaga, a quem supera por uma margem estreita.
O humorista de 62 anos faz um discurso de direita radical. Ele sugere "mão de ferro" e a "pena de morte" contra os sicários, aos quais quer declarar como "alvo militar".
"Esses miseráveis não merecem viver", disse à AFP.
"Álvarez é um 'outsider' em toda a sua magnitude. E aqueles que buscam alguém novo o veem como alternativa, sobretudo porque se posicionou à direita do espectro político", comenta Meléndez.
- 'Gaguinho', católico e trumpista -
Católico ferrenho e empresário milionário, Rafael López Aliaga, que adotou o apelido "Gaguinho" (Porky) por sua semelhança com o porquinho dos desenhos animados ('Porky Pig' em inglês), disputa a Presidência pela segunda vez. Ele foi um dos animadores da campanha, ao dar rosto a um nacionalismo cristão, com acenos para Donald Trump.
Celibatário aos 65 anos, este membro da organização católica conservadora Opus Dei e líder da Renovação Popular, foi prefeito de Lima entre 2023 e 2025.
Engenheiro de formação, fez fortuna à frente de um grupo empresarial financeiro, hoteleiro e ferroviário.
Em entrevista recente, definiu-se como um "gerente cristão, que se dedica à política por amor".
Para combater a criminalidade, propõe expulsar os migrantes venezuelanos "para sua Venezuela querida" e assinar um tratado para que os Estados Unidos capturem criminosos no Peru.
Também promete presídios no meio da Amazônia e, assim como Fujimori, tirar o país da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
"Assim como Trump, é do tipo de político que não imaginamos moderando-se", diz Meléndez.
- A carta da esquerda -
Não estão descartados outros candidatos em um segundo turno, pois na última eleição, Pedro Castillo (2021-2022), que foi eleito, aparecia em sétimo lugar uma semana antes do primeiro turno.
Da esquerda emerge o psicólogo Roberto Sánchez, de 57 anos, que se apresenta como o herdeiro político de Castillo, condenado a 11 anos e meio de prisão por tentativa frustrada de golpe de Estado em 2022.
Congressista e ex-ministro, seu eleitorado mais sólido está nos povoados pobres e rurais do sul andino, aos quais promete que vai indultar o ex-presidente se chegar ao poder.
Ele propõe impulsionar uma Assembleia Constituinte para substituir a Constituição de 1993, promulgada por Alberto Fujimori, e cujo modelo econômico liberal ele reprova.
O.Schlaepfer--VB