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Mais de 40 detidos em protestos históricos em Cuba morreram na prisão, denunciam ONGs
Pelo menos 46 pessoas detidas nos históricos protestos antigovernamentais de 2021 em Cuba morreram na prisão por falta de assistência médica, denunciou uma coalizão de organizações civis.
Em 11 de julho de 2021, milhares de cubanos saíram às ruas aos gritos de "temos fome" e "abaixo a ditadura", em protestos inéditos desde a revolução de 1959, que deixaram um morto, dezenas de feridos e centenas de detidos.
Um levantamento elaborado entre janeiro de 2025 e os primeiros dias de março mostra que 46 pessoas detidas nas mobilizações faleceram por "negação ou atraso deliberado do atendimento" médico nas prisões, afirmou a diretora da organização de direitos humanos Justiça 11J, Camila Rodríguez.
A denúncia foi apresentada em uma audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), organizada na terça-feira (10) na Cidade da Guatemala.
As pessoas detidas morreram nas prisões ou nos hospitais para os quais foram transferidas "quando sua condição já era irreversível", acrescentou Rodríguez. Ela explicou que os dados correspondem a um monitoramento de grupos da sociedade civil.
Os óbitos aconteceram entre 294 casos de detidos que tiveram atendimento médico negado no período, disse a ativista.
"Até o momento, não temos conhecimento de investigações independentes, nem de agentes penitenciários que tenham sido responsabilizados por estas mortes sob custódia estatal", afirmou Rodríguez.
O representante da Anistia Internacional (AI), Cristhian Jiménez, declarou que a privação de liberdade em Cuba continua sendo "uma ferramenta sistemática de castigo contra aqueles que exercem direitos humanos como a liberdade de expressão, de reunião pacífica, de associação e de protesto".
T.Ziegler--VB