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Ex-Farc reafirmam 'compromisso' com a paz em despedida como partido político na Colômbia
Ex-guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) reafirmaram nesta segunda-feira (9) seu "compromisso inabalável" com o acordo de paz de 2016, depois de desaparecerem como partido ao obter um fraco resultado nas eleições legislativas na Colômbia.
O histórico pacto que desarmou o então grupo rebelde mais poderoso do continente permitiu a seus membros criar o partido Comunes e garantiu 10 cadeiras no Congresso de 2018 a 2026.
Ao perder esse benefício, o grupo precisava disputar as urnas nas eleições de domingo para manter seus assentos no Legislativo. Mas nenhum dos 17 candidatos foi eleito, nem a coalizão à qual pertenciam superou o limite necessário para manter o reconhecimento como partido.
Apesar do resultado, "reafirmamos nosso compromisso inabalável com a implementação integral do Acordo Final de Paz", declararam os integrantes do Comunes em comunicado.
"Continuaremos honrando nossa palavra e trabalhando dia a dia para que a paz seja uma realidade em cada canto da Colômbia", acrescentaram.
A participação política dos ex-guerrilheiros das Farc foi um dos pontos mais complexos das negociações com o governo para encerrar mais de meio século de conflito.
A assinatura do acordo permitiu a reintegração à vida civil de cerca de 13 mil membros da guerrilha marxista.
Os ex-rebeldes enfrentaram a desaprovação da maior parte da população nas urnas e têm dificuldades para se manter na democracia.
A coalizão da qual o Comunes fazia parte no domingo obteve apenas 0,5% dos votos para o Senado e 0,2% para a Câmara dos Deputados.
"Conseguir votos não tem sido fácil", confessou à AFP uma semana antes das eleições Sandra Ramírez, a única candidata do partido ao Senado.
Especialistas consideram que o eleitorado rejeita o fato de os ex-guerrilheiros não cumprirem pena de prisão por seus crimes, como estabelece o acordo.
A cúpula das Farc foi condenada no ano passado a oito anos de trabalhos e atividades de reparação às vítimas por mais de 21 mil sequestros. Eles também aguardam sentenças por outros crimes de guerra e crimes contra a humanidade, como o recrutamento de menores.
P.Vogel--VB