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Greve de fome de familiares de presos políticos avança antes de debate sobre anistia na Venezuela
A greve de fome de familiares de presos políticos em Caracas entrou, nesta quarta-feira(18), em seu quinto dia, às vésperas de o Parlamento venezuelano retomar o debate sobre uma anistia que especialistas consideram limitada.
Sob um toldo vermelho, quatro mulheres, de um grupo inicial de dez, permanecem deitadas em colchões sobre o asfalto. Elas recebem revisões médicas constantes porque estão fracas e mal conseguem ficar de pé.
Um quadro registra a contagem das horas acumuladas no protesto iniciado em 14 de fevereiro.
"Nossa greve de fome é uma ação desesperada, mas pacífica, diante de uma injustiça prolongada. Apenas exigimos liberdade, dignidade e respeito aos direitos humanos", diz um comunicado lido pelos familiares mobilizados em frente a uma carceragem da Polícia Nacional em Caracas, conhecida como Zona 7.
A greve é "até onde o meu corpo aguentar", disse à AFP Narwin Gil, familiar de um preso na Zona 7. Elas pedem "liberdade para todos os presos políticos, porque não são criminosos", acrescentou.
A Assembleia Nacional retomará nesta quinta-feira o debate para aprovar a lei de anistia promovida pela presidente interina Delcy Rodríguez.
Delcy governa sob pressão dos Estados Unidos, que capturaram Nicolás Maduro em uma operação militar em 3 de janeiro.
O debate legislativo foi suspenso na quinta-feira passada por falta de acordo sobre um artigo que — tal como está redigido — não se traduziria na libertação imediata de todos os presos políticos.
"Não estamos esperando lei de anistia", argumentou Gil, que insiste em que seu cunhado, José Gregorio Farfán, é inocente e nunca deveria ter sido preso. "Estamos esperando a liberdade de nossos familiares", frisou.
O médico Rafael Arreaza, que foi ministro da Saúde entre 1996 e 1999, visitou as grevistas pela manhã. "Depois de 100 horas sem comer, as alterações em todo o organismo se manifestam de forma muito clara", disse.
"Tive de retirar uma senhora da greve porque ela apresentou uma crise hipertensiva muito grave", acrescentou.
Seis mulheres tiveram que abandonar a greve por recomendação médica. A saúde das quatro restantes está deteriorada.
A própria Gil disse que quase desmaiou. "Fiquei muito fria, o coração começou a bater muito forte, mas minhas companheiras de luta me ajudaram e eu me estabilizei."
Arreaza explicou que negocia o fim da greve de fome em troca de uma permissão para entrar na prisão e avaliar o estado de saúde dos presos políticos.
Até agora, os pedidos para a entrada de médicos na prisão foram negados.
S.Leonhard--VB