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Carnaval do Rio começa com homenagem controversa a Lula
O Rio de Janeiro inicia neste domingo (15) três dias de desfiles de Carnaval com uma homenagem a Luiz Inácio Lula da Silva, criticada pela oposição como propaganda eleitoral em um ano em que o presidente buscará um novo mandato.
O primeiro tributo a um presidente em exercício no Sambódromo será realizado pela Acadêmicos de Niterói, a primeira das 12 escolas a entrar na avenida.
A esposa de Lula, Rosângela "Janja" da Silva, participará do desfile e, segundo a imprensa, Lula assistirá de um dos camarotes ao longo dos 700 metros da Sapucaí.
Os ensaios públicos do desfile geraram polêmica ao exibirem imagens satíricas do ex-presidente Jair Bolsonaro em um telão.
A oposição denunciou o desfile como equivalente a um evento de campanha eleitoral meses antes de seu início oficial, em agosto, e exigiu o corte do financiamento público para a escola.
- Justiça adverte -
Lula, de 80 anos, busca um quarto mandato nas eleições de outubro. Bolsonaro indicou seu filho mais velho, Flávio, atual senador, como seu herdeiro político e candidato à presidência.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou por unanimidade, na quinta-feira, os pedidos apresentados por dois partidos de oposição para impedir que a Acadêmicos de Niterói realizasse seu desfile neste domingo, considerando que o evento configura "campanha eleitoral antecipada".
O tribunal afirmou que não poderia impedir um desfile que ainda não havia ocorrido, pois não havia evidências de violação da lei eleitoral, mas advertiu que poderia investigar irregularidades após o evento.
"Não se verifica, neste momento, elemento concreto de campanha eleitoral antecipada, nem circunstância que permita afirmar, de forma segura, a ocorrência de irregularidade", afirmou a ministra Estela Aranha, segundo comunicado.
Os membros do tribunal ressaltaram que não estavam dando "salvo-conduto" a ninguém, que o caso está em andamento e que a Procuradoria-Geral da República já foi notificada.
- Recomendações -
Em meio ao clima de preocupação, a Presidência alertou, em comunicado divulgado na sexta-feira, autoridades que participam de eventos de Carnaval para que "não realizem manifestações que possam vir a ser caracterizadas como propaganda eleitoral antecipada".
O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou no sábado diretrizes recomendando que se evitem roupas, faixas, slogans de campanha ou "expressões que constituam ofensas a opositores".
O desfile, com cerca de 3.000 participantes, apresenta diferentes cenas da vida de Lula, desde suas origens humildes no Nordeste até sua atuação como operário de fábrica e líder sindical.
O samba-enredo que acompanha o desfile entoa "Olê, olê, olé, olá; Lula, Lula!" e proclama "Sem anistia", em referência aos esforços dos apoiadores de Bolsonaro para conseguir a suspensão de sua pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
"Não é uma propaganda, é um homenagem mesmo", disse à AFP Hamilton Junior, um dos diretores da escola. Ele afirmou que conta a história de um homem que "passou por muitas dificuldades (...) e se tornou um dos maiores presidentes que o Brasil já teve".
J.Sauter--VB